Espaço dedicado a tópicos avulsos sobre o Rio de Janeiro

Um imenso areal No meio da rua ?! Antes de sermos Itamaraty Almanak Laemmert



As estações do Metrô O Largo Haroldo de Andrade










ANTES DE SERMOS ITAMARATY



ADB - Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros

Artigo publicado no nº 9 do ADB - Boletim da Associação dos Diplomatas Brasileiros, em janeiro de 1994, sob o título "Antes de Sermos Itamaraty - As sedes da chancelaria brasileira".  Na transcrição que se segue, foram acrescentadas legendas mais detalhadas nas ilustrações.


As sedes da chancelaria brasileira

Flavio Serrano


No início do ano passado, tive o grato prazer de conhecer o Professor Flávio Serrano, carioca, 61 anos, profissional da área de informática que, naquele momento, realizava pesquisas na Mapoteca do Itamaraty, no Rio de Janeiro, para alentado projeto sobre evolução da propriedade do solo no bairro do Flamengo.

Esse projeto constituiu o primeiro ponto de interesse comum que temos, ele e eu ex-moradores, mas ainda saudosos, daquele bairro.  Conversamos longamente sobre outros assuntos, sobre as demais pesquisas que ele empreendia então, até que, a certa altura, mencionei tema que despertava minha curiosidade havia muito, mas que apesar de ter buscado aqui e ali, nunca tinha podido obter as informações que desejava.

Referia-me à localização das sedes da Chancelaria brasileira antes de se instalar no Palácio Itamaraty, denominação afinal transformada no epônimo da diplomacia nacional.  Sabia, por referências encontradas em algumas poucas obras, especialmente no livro Organização e Administração do Ministério dos Estrangeiros, de autoria do Embaixador Álvaro Teixeira Soares, e no Salões e Damas do Segundo Reinado, de Madureira de Pinho, que o Ministério do Exterior se localizara sucessivamente no antigo Campo da Aclamação e também no Palacete Bahia, no Largo da Glória.  Era praticamente tudo, e os Relatórios anuais publicados pela Chancelaria primavam pela discrição a esse respeito: embora consignando as mudanças, não registravam os endereços da Chancelaria.

O Professor Serrano se entusiasmou com o tema, arregaçou as mangas e pôs-se a pesquisar.  O resultado é uma monografia inédita, respeitável e ilustrada, cujo resumo é publicado aqui como utilíssima contribuição para a preservação da memória do Itamaraty.

Carlos F. Guimarães

No primeiro momento, pensamos tratar-se de uma pergunta cuja resposta poderia ser dada em poucos dias ou semanas.  Mas, à medida que o tempo foi passando, percebemos nosso envolvimento numa pesquisa das mais apaixonantes, e após quase dois anos, o tema se tornou uma verdadeira obsessão: quais os endereços da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, a partir de 1808?

Na realidade, rapidamente foram identificadas as sedes da Secretaria após 1821.  No entanto, ainda permanece envolto em mistério o período de 1808 até aquele ano.

Com a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, no princípio do século passado, a então Colônia passou por grandes modificações.  Logo ao chegar às terras cariocas, o Príncipe Regente Dom João nomeou três Secretários de Estado, em 11/03/1808.  Para a Secretaria da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, foi escolhido Dom Rodrigo de Souza Coutinho, mais tarde agraciado com o título de Conde de Linhares.

É bem provável que os primeiros momentos da Secretaria tenham acontecido no Paço Imperial, na atual Praça Quinze de Novembro.  Em 1861, Moreira de Azevedo, ao publicar a sua obra "O Rio de Janeiro", registrava a existência de uma sala "azul dos estrangeiros", ao lado da Sala do trono, mas não se conseguiu até agora nenhuma prova documental de que este tenha sido realmente o primeiro pouso da Secretaria.

Com a morte de Linhares em 26/01/1812, a Secretaria foi sucessivamente dirigida pelo Conde das Galveias, o Marquês de Aguiar e, em 1817, o Conde da Barca, Dom Antônio de Araújo de Azevedo.

Escrevendo sobre Barca, afirmou Luis Edmundo tratar-se do "maior ministro que Dom João teve no Brasil, o que mais fez pelo país".  A ele devemos, entre outras, a iniciativa de ter trazido de Lisboa, no tumultuado e estragético embarque da Corte para o Brasil, as máquinas que deram origem à Impressão Régia, mais tarde chamada de Real Oficina Tipográfica, precursora da Imprensa Nacional de nossos dias.  Esse maquinário foi justamente instalado no andar térreo do Solar onde inicialmente habitou Barca, na Rua do Passeio, ao lado do prédio hoje ocupado pelo Automóvel Clube do Brasil.

Além de sua importante atuação na pasta de que era titular, destaque-se também o fato de Dom Antônio haver patrocinado a vinda, em 1816, da Missão Artística Francesa, chefiada por Lebreton.  Entre os artistas encontrava-se o arquiteto Grandjean de Montigny, que além de realizar importantes obras, algumas das quais até hoje existentes, ainda cuidou de transmitir seus conhecimentos a inúmeros discípulos, como por exemplo José Maria Jacinto Rebello, que no meio do século passado viria a projetar o Palácio Itamaraty, na antiga Rua Larga de São Joaquim.

O Solar da Rua do Passeio nº 42, que Barca havia adquirido em 1811 do espólio de Maria Francisca Braga para ser sua residência, já aparecia no ano seguinte sediando em suas lojas e no quintal o Laboratório Químico, além da Impressão Régia.  Em 1821 ali se encontravam, no pavimento superior, as Secretarias dos Negócios Estrangeiros e a recém criada da Justiça.  Após a morte de Barca em 21/06/1817, o governo adquiriu em leilão o imóvel, sendo o Solar finalmente demolido em 1937.

Ainda no final do século passado, o Solar do Conde da Barca abrigou a Academia Nacional de Medicina, o Pedagogium e a Academia Brasileira de Letras, que ali realizou sua primeira sessão em 20/07/1897.  O amplo terreno, que se estende até a Rua Evaristo da Veiga, hospedou já nos anos novecentos algumas repartições da Secretaria de Educação do então Distrito Federal e hoje é ocupado pelas instalações da Escola Superior de Desenho Industrial.

SOLAR DO CONDE DA BARCA - 18../1852

Foi a segunda sede da Secretaria dos Negócios Estrangeiros no Brasil, num sobrado que existiu na Rua do Passeio nº 42 até o ano de 1937, quando foi demolido após um incêndio.  É o prédio mais baixo, no centro da foto.  Hoje há apenas um muro no local, delimitando a área ocupada pela ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial).  O prédio maior, à esquerda, ainda existente nos nossos dias, é o atual Automóvel Clube do Brasil.  A Secretaria esteve nesse local até 1852.


Em março de 1852, a Secretaria dos Negócios Estrangeiros transferiu-se para o Campo da Aclamação nº 11, instalando-se num sobrado de propriedade de Maria Leopoldina Navarro de Andrade, onde permaneceu até 1869.  A família Navarro de Andrade tinha entre seus membros o Barão de Vila Seca, Dom Rodrigo Navarro de Andrade, oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, em 1808 Encarregado de Negócios em São Petersburgo no Império Russo e em 1817 Ministro Plenipotenciário em Viena.

Outro Navarro de Andrade foi o Barão de Inhomirim, médico da Casa Imperial, titular da cadeira de Medicina na Universidade de Coimbra e lente de Higiene da Escola de Anatomia, Cirurgia e Medicina do Rio de Janeiro.

Na virada do século esse prédio seria adquirido pelos Duvivier Castier, pioneiros de Copacabana, e que em 1960 o venderiam para o engenheiro Luiz Amorim Gomes.  Então derrubado, abriu espaço para a construção do Edifício Marco Saulo em 1961-63, hoje com o nº 13 da atual Praça da República.  Situa-se ao lado de uma agência da Caixa Econômica Federal, no quarteirão do Quartel do Corpo dos Bombeiros, na continuação da Rua Visconde do Rio Branco.

NAVARRO DE ANDRADE - 1852/1869

Em 1852 a Secretaria dos Negócios Estrangeiros mudou-se para o Campo d'Acclamação nº 11 (atual Praça da República nº 13, alguns metros antes do QG do Corpo de Bombeiros), ocupando um sobrado de propriedade dos Navarro de Andrade.  Ali permaneceu durante 17 anos, quando novamente mudou-se, dessa vez para a Glória.  O sobrado é o terceiro na foto acima, a partir da esquerda, com um mastro de bandeira no andar superior.  Foi demolido no meio do século passado, para a construção do Edifício Marco Saulo em 1961-63.


Nos Relatórios anuais dos Secretários de Estado à Assembléia Legislativa nos anos 1860, era constante a solicitação de novas acomodações para a Secretaria dos Negócios Estrangeiros, pela precariedade de suas instalações no sobrado do Campo da Aclamação.  Aventou-se até mesmo a possibilidade da construção de prédio num terreno existente ao lado da Câmara Municipal, em outra face do antigo Campo de Sant'Ana.

Finalmente, em outubro de 1869, foi alugado o Palacete Bahia, localizado à Rua da Glória nº 100, na esquina da Rua Santa Isabel, Benjamim Constant desde 1891.  O Palacete pertencera ao nobre Manuel Lopes Pereira Bahia, o Barão do Meriti, que o havia legado à sua filha Maria Carolina, então casada com o Marquês de Abrantes, Secretário dos Negócios Estrangeiros de 1862 a 1864.  Algum tempo depois da morte de Abrantes em 1864, Maria Carolina casou-se com o médico Joaquim de Araújo e Silva, Barão do Catete pelo Brasil e Visconde de Silva por Portugal.

Da Glória foram dirigidos os destinos da nossa diplomacia, entre 1869 e 1891, ainda sob a antiga denominação de Secretaria dos Negócios Estrangeiros e, de 1891 a 1899, já como Ministério das Relações Exteriores.

O prédio principal era fronteiro ao atual Largo da Glória, havendo na área extensos jardins e outras dependências, proporcionando um ambiente mais adequado para a repartição.

PALACETE BAHIA - 1869/1899

Na Rua da Glória nº 100, foi sede da Secretaria dos Negócios Estrangeiros por 30 anos.  Era uma extensa propriedade, na esquina da atual Rua Benjamin Constant.  Com a mudança da Secretaria para o Palácio Itamaraty, na Rua Larga de São Joaquim (atual Avenida Marechal Floriano), o Palacete foi ocupado durante alguns anos por um hotel e finalmente demolido na segunda década dos anos novecentos para a construção do Palácio São Joaquim, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, em 1918.


Mas os serviços diplomáticos se foram expandindo e a necessidade de uma maior área de trabalho foi sendo reclamada.  Em 14/01/1899 houve então a transferência para o Palácio Itamaraty, na Avenida Marechal Floriano, construção de 1851-55 comprada pelo governo em 23/12/1889 aos herdeiros do 2º Conde de Itamaraty, e que abrigou a Presidência da República até sua mudança para o Palácio do Catete, este hoje transformado no Museu da República.

Após a saída da Secretaria, o Palacete Bahia foi ocupado pelo English Hotel, que existiu até 1908, quando foi demolido o prédio.  Em 1915-18 o terreno recebeu a construção do Palácio Episcopal da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

A história do Palácio Itamaraty é detalhadamente narrada por Gustavo Barroso, em livro com o mesmo título, editado em 1956 pelo Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty.  Sua leitura é indispensável para os que desejam se inteirar das minúcias da Casa de Rio Branco, desde a construção do prédio original até as obras de ampliação feitas na gestão do Chanceler Octavio Mangabeira, em 1927-30.

PALÁCIO ITAMARATY - RIO DE JANEIRO - 1899/1965

Palácio Itamaraty - Rio de Janeiro - na Avenida Marechal Floriano (antiga Rua Larga de São Joaquim),
em foto de Marc Ferrez, no início do século XX.


Finalmente, em 1967-70, foram transferidos para Brasília os serviços diplomáticos, abrigados no novo Palácio Itamaraty, que teve sua denominação mantida pela tradição, pois assim é conhecida a nossa Chancelaria em todo o mundo, desde o início do século XX.

PALÁCIO ITAMARATY - BRASÍLIA - 1965

Palácio Itamaraty - Brasília - na Esplanada dos Ministérios, na Capital Federal.


Esta é, em rápidas palavras, a história das diversas sedes da nossa repartição dos Negócios Estrangeiros, desde 1821 até a época atual.  Nas primeiras décadas dos anos novecentos, o fotógrafo Augusto Malta documentou para a posteridade os mais variados aspectos do Rio de Janeiro, existindo literalmente milhares de chapas retratando a Cidade Maravilhosa.  No Museu da Imagem e do Som, uma fundação do Governo do Rio de Janeiro, acha-se arquivada a maioria de sua obra: lá localizamos as fotos do Solar da Rua do Passeio, do Sobrado da Praça da Aclamação e do Palacete da Glória, que ilustram estas linhas.

Até agora, logramos parcial êxito no manuseio de documentos nos Arquivos Históricos do Itamaraty e do Exército, no Arquivo Nacional e na Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional.  Entretanto, continuamos com pertinácia na procura de elementos que permitam confirmar a localização da sede inicial no Paço Imperial e a época de sua instalação no Solar do Conde da Barca.

Agradecimentos ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro pela autorização de publicar as fotos de A. Malta.



                  Material adicional para um próximo texto


PAÇO IMPERIAL - RIO DE JANEIRO - 1808/18..

O Paço Imperial, localizado na atual Praça Quinze de Novembro (à esquerda), hospedou a primeira sede da Secretaria dos Negócios Estrangeiros no Brasil : na Sala Azul, ao lado da Sala do Trono, no 2º pavimento.
Gravura de Richard Bate (1808)









ALMANAK LAEMMERT 1882

Rua Senador Vergueiro - Rua Figueiredo de Magalhães



O Almanaque Laemmert foi uma publicação anual que existiu entre 1844 e a primeira metade do século XX, no Rio de Janeiro.  Cada exemplar chegou a ter várias centenas de páginas, com numerosas e valiosas informações sobre a administração pública, o comércio, a indústria, os nomes e endereços dos principais habitantes do Rio de Janeiro, anúncios, etc.

A imagem acima mostra a página inicial do Almanaque de 1882.

Felizmente, há, pelo menos no Rio, vários locais onde a coleção completa pode ser consultada, e melhor ainda, os Almanaques de 1844 a 1889 foram digitalizados e encontram-se disponíveis, página a página, na Internet, no URL http://www.crl.edu.

Um nosso colaborador, que prefere ficar no anonimato, levantou uma relação de alguns moradores da Rua Senador Vergueiro, conforme aparecem no Almanaque de 1880, e que listamos a seguir.  A numeração, repetimos, é a vigente naquele ano.

Nº 2 - Capitão José Moreira de Carvalho, da Guarda Nacional.
Nº 9 - Barão de Cotegipe (João Mauricio Wanderley).
Nº 12 - Major Prof. Manuel Peixoto Cursino do Amarante, da Escola Militar.
Nº 16 - Conselheiro Paulino José Soares de Souza.
Nº 17 - José da Mota Pinto, comércio de importação e exportação.
Nº 20 - José Narcizo Gonçalves & Cia., gêneros de secos e molhados.
Nº 23 - Dr. Ernesto de Freitas Crissiuma, médico.
Nº 26 - José Pedro de Azevedo Peçanha, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, oficial de gabinete do Ministro Conselheiro Pedro Luiz Pereira de Souza.
Nº 27 - Antonio José da Costa Ferreira, Moço Fidalgo, com diversas condecorações.
Nº 28 - Dr. Manuel de Oliveira Fausto, advogado.
Nº 31 - Dr. Domingos de Azeredo Coutinho de Duque-Estrada, cirurgião da Guarda Nacional, reformado.
Nº 31 - Ernesto de Azeredo Coutinho de Duque-Estrada, da Tesouraria dos Correios.
Nº 33 - Dr. Manuel Jacinto Nogueira da Gama, Moço Fidalgo da Corte.
Nº 34 - Antonio Augusto da Silva Costa.
Nº 35 - Marques & Sobrinho (João da Cruz Patacão e José Marques Motta), gêneros de secos e molhados.
Nº 38 - Angelo Thomaz do Amaral, presidente da Cia. Ferro-Carril Nictheroyense.
Nº 39 - Adriano José de Mello, comerciante e grande capitalista.
Nº 40 - Conselheiro Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque.
Nº 41 - Barão do Fonseca (João de Figueiredo Pereira de Barros).
Nº 41 - Dr. Januário de Figueiredo Pereira de Barros, médico.
Nº 42 - Manuel Curvello d'Avila, gêneros de secos e molhados.
Nº 46-B - Manuel Hilário Pires Ferrão, Tabelião do 4º Cartório de Notas.
Nº 46-D - Barão de Vila Velha.
Nº 48 - Dr. Rodrigo Otavio de Oliveira Menezes, advogado.
Nº 48 - Dr. Theodoro Langgaard, médico.
Nº 49 - Pedreira de Manuel Joaquim Borges.
Nº 49 - Dr. Daniel Pedro Ferro Cardoso, membro da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional.
Nº 50 - Dr. Ataliba de Gomensoro, médico.
Nº 51 - Barão de São João de Icarahy (Constantino Pereira de Barros).
Nº 59 - Visconde de Figueiredo (Francisco de Figueiredo).

Para que se tenha idéia do seu conteúdo, reproduzimos, a seguir, uma página do Almanaque de 1882, relacionando alguns médicos da época, e outra página, com um anúncio do Dr. Figueiredo Magalhães, que viria a dar seu nome a uma das principais ruas de Copacabana, onde residia e mantinha uma casa de saúde.  Naquele ano, o médico famoso tinha consultório na antiga Rua Direita, mas já na época Rua Primeiro de Março, em lembrança da data do fim da Guerra do Paraguai.

O que há de interessante é o fato do nome dele aparecer por extenso na página anterior - Francisco Bento Alexandre de Figueiredo Magalhães, e como Dr. Figueiredo Magalhães no anúncio de seu consultório em 1882 , sem o "de" entre os sobrenomes - mas em outro anúncio num almanaque de ano posterior já está como "...Figueiredo de Magalhães".  Resultado: a rua foi nominada com o "de", que inclusive aparece em todas as placas entre a Praia e o Túnel Velho.

Bom assunto para uma rodada de chope no final de uma sexta-feira...



























Metrô Rio - O Projeto de 1971 Metrô Rio - O Projeto de 1951 Metrô Rio - Estação São João Metrô Rio - Estação Cardeal Arcoverde




O Projeto de 1971

"Next stop : Engenho Velho station"...

O Projeto de Alinhamento nº 8.982 foi aprovado pela Prefeitura em 11.6.1971, como o plano da Linha Prioritária do Metrô, compreendendo o trecho entre a Praça Saens Peña na Tijuca e a Praça Nossa Senhora da Paz em Ipanema.

Ao longo desse trajeto, foram previstas as várias estações que hoje existem na Linha 1, mas algumas tiveram outros nomes propostos.

Assim é que, após o começo da linha na Estação Saens Peña, a atual Estação São Francisco Xavier iria se chamar Estação Engenho Velho, nome tradicional da região em que se situa.

A Estação Afonso Pena já era projetada com esse nome.

A Estação Estácio seria a Estação Estácio de Sá.

A seguir, a Estação Praça Onze era prevista como Estação Cidade Nova.

A Estação Central teria um nome um pouco maior : Estação Central do Brasil.

Não existiria a Estação Presidente Vargas.  Após a Central, a seguinte já seria a Estação Uruguaiana.

E depois viria a Estação Largo da Carioca, que acabou sendo apenas Estação Carioca.

Cinelândia, Glória, Catete e Largo do Machado dariam seqüência à Linha 1, portanto com os mesmos nomes dos nossos dias.

A atual Rua Paulo VI, por cima da Linha 1, era a projetada Avenida Radial Sul, e entre as Ruas Paissandu e Clarice Índio do Brasil estaria a Estação Marquês de Abrantes.  É a Estação Flamengo de hoje, depois de ter sido Estação Morro Azul por três mêses após inaugurada, mas que teve o nome trocado após democrática votação dos seus usuários no final de 1981.

Continuando, chegaríamos à Estação Botafogo, de onde prosseguiríamos por um trajeto atravessando a Avenida Lauro Sodré em frente ao Shopping Rio Sul, para então fazer uma longa curva à direita sob o Morro da Babilônia e finalmente seguir pelo eixo da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, desde o seu início na Rua Antonio Vieira, no Leme.

Vê-se, portanto, que houve uma mudança radical do trajeto na Princesinha do Mar, pois hoje a Linha 1 passa sob os Morros de São João, dos Cabritos e do Cantagalo, bem longe da Avenida N.Sª de Copacabana.  Já imaginaram o caos total no trânsito do bairro, durante uns dois ou três anos das obras, se fosse executado esse traçado original?

A primeira estação de Copacabana estaria localizada na esquina da Avenida Prado Júnior e não tinha nome previsto no PA, somente o local.

Na Praça Serzedelo Corrêa ficaria a Estação Siqueira Campos, mesmo nome da atual, porém em ponto diferente, mais próximo da praia.

A seguinte deveria ser a Estação Constante Ramos, entre a Rua Dias da Rocha e a rua que daria o seu nome à estação.  Relembrando: tudo isso sob a Avenida N.Sª de Copacabana!

A próxima estação ficaria nas imediações da Rua Almirante Gonçalves e da (futura) Praça Sarah Kubitschek, também sem nome previsto.

E finalmente, adentrando Ipanema, teríamos as Estações General Osório e Nossa Senhora da Paz, com os trilhos se estendendo mais uns 400 ou 500 metros sob a Rua Visconde de Pirajá até um pouco além da Rua Anibal de Mendonça.







O Projeto de 1951

Um projeto ainda mais antigo é o da Comissão Executiva do Projeto do Metropolitano, de dezembro de 1951, presidida pelo engº Alim Pedro (então Secretário-Geral de Viação e Obras do Distrito Federal e, mais tarde, Prefeito do Rio) e assessorada por técnicos da Société Générale de Traction et d'Exploitations, de Paris, que foi submetido pelo Prefeito João Carlos Vital à Câmara dos Vereadores, com três alternativas de traçados.


A Comissão foi criada pelas Leis nºs 314 e 322, respectivamente de 24.12.1948 e 19.2.1949, tendo iniciado os seus trabalhos em 1.7.1950.

Seu alentado projeto transformou-se na Mensagem nº 114, submetida pelo Prefeito à Câmara de Vereadores em 11.12.1951.

Um dos trajetos seria o que descrevemos acima, mas com a linha continuando sob a Visconde de Pirajá até a Ataulfo de Paiva no Leblon, e daí fazendo um longo retorno pela Bartolomeu Mitre, Jardim Botânico e Humaitá, para atravessar Botafogo entre a Voluntários da Pátria e a Mena Barreto até atingir a Estação Mourisco (nome previsto para a Estação Botafogo de hoje).  O retorno para o Centro se daria pela Praia de Botafogo, Avenida Osvaldo Cruz e Praia do Flamengo, até a Glória.

Metrô pela Praia do Flamengo?  Que luxo seria...  E lembre-se que em 1951 ainda nem existia o Aterro.

Nessa alternativa, haveria em Botafogo a Estação Farani, entre a Marquês de Abrantes e a Mourisco.  E a primeira estação de Copacabana teria o nome de Lido.

A título de curiosidade, reproduzimos na abertura deste tópico uma pequena parte de um dos mapas que acompanhavam o projeto de 1951.  Mas sua grande dimensão, 113 x 66 cm, torna inviável a sua colocação por inteiro aqui, além do fato de serem 4 os referidos documentos, com os diferentes traçados previstos para as linhas.

E faltam-nos dados sobre o primeiro projeto de metrô para o Rio, de 1873, segundo os livros.







A Estação São João

Agora fazemos uma pergunta: você sabe onde fica a Estação São João?

Pouco antes da inauguração do trecho Botafogo-Copacabana em 2.7.1998, tivemos a oportunidade de participar de um grupo que visitou as obras do Metrô nessa área e estivemos na Estação São João, que foi devidamente escavada sob o morro do mesmo nome, num hipotético prolongamento da Rua Fernandes Guimarães, em Botafogo.  A idéia então era a de se abrir essa estação, para servir aos moradores da Praia Vermelha e Urca, além - e principalmente - dos frequentadores do Shopping Rio Sul.

Como o túnel entre a plataforma e o Rio Sul teria aproximadamente 320 metros (o equivalente ao trecho da Rua da Assembléia entre a ALERJ e a Avenida Rio Branco, para se ter uma idéia da distância), o Metrô somente escavou a estação e teria entrado em contacto com o Rio Sul, suposto principal beneficiário da obra, para que o Shopping financiasse a abertura da passagem.

Fala-se que a negociação não teve o desfecho desejado e o resultado foi fazer o emparedamento da estação, o que pode até ser notado por um observador atento, no final da reta que vem de Botafogo.

Realmente, se você olhar à esquerda para a parede do túnel, antes do início da grande curva que leva à Estação Cardeal Arcoverde, perceberá que há uma mudança no seu acabamento, correspondendo à transição entre a pedra do morro e os tijolos que lacram a Estação São João.

Até compreendemos ser provavelmente mais econômico para o Shopping manter apenas aquele ônibus gratuito, que hoje circula a cada 30 minutos entre a Estação Cardeal Arcoverde e o seu prédio, do que ter as inevitáveis despesas mensais com a manutenção do túnel de acesso à Estação São João, e sem contar com o desconforto para as pessoas, por terem que percorrer um trajeto tão longo, o dobro do que existe dentro da Estação Cardeal Arcoverde, por exemplo, mesmo com a colocação de esteiras rolantes.

Quem ganhou com isso e quem perdeu? Você... decide!







A Estação Cardeal Arcoverde - a mais bonita do mundo ?

Quando foi inaugurada em julho de 1998, a Estação Cardeal Arcoverde foi considerada pelos participantes de um congresso mundial de concessionários e operadores de metrô, que foi realizado no Rio naqueles dias, como uma das mais bonitas do mundo.

Mas o tempo foi passando e novos empreendimentos na área foram realizados no planeta.

Vejam algumas estações do Metrô de Estocolmo, na Suécia, e pensem no que poderia ter sido feito na nossa Cardeal Arcoverde.

É uma boa idéia para as novas estações General Osório e Nossa Senhora da Paz, não acham?

E isso tudo sem falarmos do Metrô de Moscou, que, dos que vimos na Internet, é disparado o mais bonito do Planeta Terra!

Acessem Metrô-Moscou e vejam!   Após carregar o arquivo PPS do link, dê um toque na tecla F5 para abrir as imagens na tela, caso necessário.  E encerre o passeio com Alt+F4.