ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO EM 1.11.2008
A Ladeira Ari Barroso está localizada totalmente nos limites do bairro do Leme. Começa na Rua General Ribeiro da Costa, na antiga Rua de Vila "A" com acesso pelo lote nº 66, entre os nºs 56 e 76, terminando no alto do Morro da Babilônia, com 550m de extensão, num "cul-de-sac" na cota 69,3m.
Sua nominação originou-se com a promulgação da Lei nº 993 em 6.7.1966, publicada no Diário Oficial do Estado da Guanabara de 11.7.1966, cujo projeto havia sido apresentado na Assembléia Legislativa pelo Deputado ..............
Ary com "y" ou com "i" ? No ano de 1969 houve um acôrdo ortográfico que determinou a extinção de letras dobradas nas palavras e tentou eliminar o "k", o "w" e o "y" da língua portuguesa. Isso refletiu também nos nomes próprios, mas pode-se dizer que a regra não pegou. As pessoas continuaram a registrar seus filhos com essas letras, sem maior objeção dos Cartórios de Registro Civil.
Na nomenclatura das ruas do Rio foi então efetuada uma "limpeza" na grafia das palavras, redundando em absurdos como, por exemplo, "Osvaldo Cruz" (ao invés de Oswaldo, como ele havia sido registrado), "Rui Barbosa" (e não o real Ruy Barbosa), e "Ari Barroso" (e não Ary Barroso).
E para complicar ainda mais, essa regra não é sempre seguida com rigor. Felizmente, a oposição a ela permitiu-nos ter hoje, entre outras, a grafia correta na Avenida Ayrton Senna, e não uma hipotética e errada Airton Sena.
Para nos mantermos fiéis às regras de nominação de logradouros públicos, ao citar uma rua estaremos seguindo o que diz o artigo 1º de cada decreto, neste caso "Ari" com "i", mas ao citar somente a pessoa do homenageado, escreveremos como os seus pais registraram-no ("Ary").
Mas uma outra confusão está vindo aí, a partir de 1º de janeiro de 2009, com mais um acordo ortográfico polêmico, em que um país de além-mar com uns poucos milhões de habitantes vai tentar impor seu modo de falar (sem pronunciar a maioria das vogais!) e de escrever aos duzentos milhões de brasileiros. A ver...
O PA correspondente à Ladeira Ari Barroso tem o nº ........., podendo ser consultado na Secretaria Municipal de Urbanismo, quer na sede da Prefeitura na Cidade Nova, quer no seu site na Internet.
A Ladeira Ari Barroso, no Leme
Foto de satélite do site Google Earth: a Ladeira Ari Barroso, no Leme. A seta, após o nº 56 da Rua General Ribeiro da Costa, indica o início da Ladeira, que segue serpenteando morro acima, por 550m, terminando em um "cul-de-sac" na cota 69,3m. Bola é a Rua Aguinaldo Bezerra dos Santos ("Bola"), a antiga Rua "A", que tem início no lado par da Ladeira, a 295m da Rua General Ribeiro da Costa, também acabando em outro "cul-de-sac", após 120m. Os dois logradouros são o acesso às Comunidades da Babilônia (esq.) e do Chapéu Mangueira (dir.). |
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Levantamento Aerofotogramétrico do IPP
Levantamento Aerofotogramétrico do
Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, estando assinalados o início e o final da
Ladeira Ari Barroso. |
A Ladeira Ari Barroso por outro ângulo
A Ladeira Ari
Barroso (LAB) começa no antigo lote nº
66 da Rua General Ribeiro da Costa. Bola
é o final da Rua Aguinaldo Bezerra dos Santos. A seta aponta para a residência de Ary. |
Ary Barroso
Compositor, locutor e animador
(1903-1964)
Ary Evangelista de Rezende Barroso nasceu em Ubá (MG) em 7.11.1903. Por oportuno, registre-se que Ubá também é a cidade natal do cantor Nelson Ned.
Órfão de pai e mãe aos 7 anos de idade, Ary foi criado por sua tia Rita Margarida de Rezende e sua avó Gabriela Augusta de Rezende, professora de piano. Em 1920 Ary veio para o Rio de Janeiro, onde iniciou a sua vida de compositor e músico, tocando piano nos cinemas Ideal e Iris, na Rua da Carioca.
Seguindo o conselho de um numerólogo amigo, deixou de usar o "Evangelista" no seu nome, em ato de pura superstição, típico de seu agitado temperamento.
Advogado, compositor popular e autor teatral de revistas, Ary Barroso compôs, entre tantas outras, as músicas Aquarela do Brasil, No Rancho Fundo, Mimi, Vou à Penha, Quando Eu Penso na Bahia, Maria, Na Batucada da Vida, Na Baixa do Sapateiro, Boneca de Piche, Terra Seca, No Tabuleiro da Bahiana, Rancho das Namoradas, Os Quindins de Iaiá, Dá Nela, Faceira, Maria, Risque, etc., todas grandes sucessos até hoje.
Segundo seus biógrafos, é curioso o fato de que Ary, com um repertório muito focado na Bahia, nunca esteve lá!
Sua primeira composição foi o cateretê "De longe", quando tinha apenas 15 anos, ainda em Ubá. A seguir, compôs a marcha "Ubaenses Gloriosos".
A mais famosa intérprete de suas obras foi a festejada atriz e cantora Carmen Miranda, que aqui vemos ao seu lado.
Aquarela do Brasil é ainda hoje a segunda música brasileira mais executada no mundo, só perdendo para a Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Em 1944 esteve nos Estados Unidos, fazendo a trilha sonora da parte brasileira do filme de Walt Disney "Você Já Foi à Bahia?".
Participou dos filmes nacionais "Alô, Alô Brasil" e "Favela dos Meus Amores".
Ary Barroso foi também autor de numerosas músicas carnavalescas, como A Casta Susana, Como Vai Você, Foi Ela, Grau Dez, Segura Esta Mulher e Upa.
Na Rádio Tupy comandava um célebre programa nos anos 1950, os "Calouros em Desfile", onde os participantes, dependendo de seu desempenho, ou seriam aprovados com uma boa nota e os elogios do apresentador, ou receberiam o sonoro gongo do Macalé, se não agradassem a Ary e à sua platéia.
Seu programa fez o Brasil conhecer, entre outros, os consagrados talentos de Elizeth Cardoso e Elza Soares.
Era fanático Torcedor-Símbolo do Flamengo e como locutor esportivo foi o criador da "Gaitinha do Ary", que tocava nos momentos dos gols rubro-negros, durante as transmissões pela PRG3 - Rádio Tupy, em 1.280 kHz AM.
Foi vereador na cidade do Rio de Janeiro, pela UDN, a União Democrática Nacional, tendo sido eleito, em outubro de 1946, com a segunda maior votação conseguida por um candidato naquele pleito.
Na Câmara Municipal, batalhou pelo Direito Autoral, pela construção do Estádio do Maracanã (inaugurado em 1950) e em 1949 propôs a implantação de um sistema de coleta seletiva de lixo, tornado realidade muitas décadas depois. Também tentou criar um órgão de defesa civil, o que só se concretizou uns vinte anos mais tarde, após os temporais de 1966 e 67.
Durante seu mandato (1947-1951), conseguiu luz, limpeza e policiamento para a favela Chapéu Mangueira, próxima à sua residência.
Registre-se, por curiosidade, que a Câmara Municipal de então era composta por 49 vereadores, entre eles figuras até hoje muito lembradas, como Adauto Lucio Cardoso (mais tarde Ministro do Supremo Tribunal Federal), Apparicio Torely (o humorista "Barão de Itararé"), o jornalista Carlos Lacerda (futuro Governador da Guanabara) e a udenista Ligia Lessa Bastos (que teve suas 4 décadas de atuação política reconhecida pela Câmara Municipal, com a colocação de placa comemorativa no Palácio Pedro Ernesto).
Já no final de sua vida, Ary aderiu ao ritmo da Bossa Nova, tornando-se amigo de Tom, Vinicius e João Gilberto. Mas mantendo a sua tradição de polemista, combateu pela imprensa o compositor Antônio Maria, que se tornou seu rival.
Nos anos 1940 o paisagista Roberto Burle Marx morava em extensa propriedade no Leme, que ia desde a Rua Araújo Gondim (General Ribeiro da Costa) até o alto do Morro da Babilônia. Muito amigo de Ary Barroso, Burle Marx doou um lote para o compositor, que alí construiu sua residência. Era uma parte da vila de nº 66 (antigo 28), por onde depois foi aberta a Ladeira Ari Barroso e que é desde então o acesso às Comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira.
Burle Marx mudou-se em 1949 para um sítio em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do município carioca, vendendo sua propriedade do Leme para um incorporador imobiliário que, ao levantar ali um edifício residencial, de uma certa forma conseguiu "esconder" um pouco a favela que crescia rapidamente, dia a dia.
A Favela e o Morro sempre foram conhecidos pelo nome de Babilônia. Já Chapéu Mangueira vem de um grande anúncio que existiu até meados do século XX, colocado sobre a boca do Túnel Novo no final da Avenida Princesa Isabel, como propaganda de uma fábrica de chapéus dessa marca.
Conta-nos o historiador Milton de Mendonça Teixeira :
"(...) Por essa época ou pouco antes, uma fábrica de chapéus no morro da Mangueira, no subúrbio da Leopoldina, montou um enorme cartaz no topo do morro do Telégrafo. Era um out-door colorido, com duas pessoas experimentando um Chapéu-do-Chile, que era de um tecido tão leve e fino que podia ser dobrado e colocado no bolso. Já em fins dos anos vinte todos chamavam aquele trecho do morro da Babilônia de “Chapéu Mangueira”. O nome pegou. (...)"
Em 7.9.1955 o Presidente Café Filho recebeu no Palácio do Catete os músicos Ary Barroso e Heitor Villa-Lobos, que então foram homenageados com sua inclusão na Ordem do Mérito.
A Lei nº 11.327, de 24.7.2006, sancionada pelo Presidente Lula, instituiu o Dia do Radialista, a ser comemorado anualmente em 7 de novembro, data natalícia de Ary Barroso.
O compositor faleceu de cirrose hepática, no Rio de Janeiro, em 9.2.1964, Domingo de Carnaval, no momento em que a Escola de Samba Império Serrano entrava na Avenida com o enredo "Aquarela Brasileira", feito em sua homenagem.
A presença de Ary Barroso no Leme
A Ladeira Ari Barroso no Leme A Ladeira Ari
Barroso, no Leme, vista a partir da Rua General Ribeiro da Costa,
onde começa entre os nºs 56 e 76. |
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A Estátua e o Busto de Ary Barroso Estátua e busto de Ary Barroso, no bairro do Leme, com descrições mais
detalhadas nas nossas páginas de <Leme-Avenida
Atlântica> e <Leme-Rua Antonio
Vieira>, respectivamente. |
A residência de Ary Barroso
A residência do homenageado, na
Ladeira Ari
Barroso. |
Nossos agradecimentos aos autores das informações e imagens, especialmente ao Artista Plástico e Pintor Silva Costa, que foram editadas e complementadas com material do site Ary Barroso, do historiador Milton de Mendonça Teixeira, da Biblioteca da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, da Secretaria de Administração do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação Casa de Rui Barbosa, do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, dos sites Google, Google Earth, Wikipédia e de n/arquivos.