
ÚLTIMA
ATUALIZAÇÃO EM 27.10.2008
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Este espaço está destinado para textos e ilustrações sobre vários assuntos e episódios relacionados com a formação do bairro do Leme.
| O bairro do Leme, visto de um satélite
O
bairro do Leme, em foto
de satélite, do site Google
Earth (2007). Acompanhando o traçado da Avenida
Atlântica, vê-se a Rua Gustavo Sampaio, além dos outros logradouros do
Leme. No Morro da Babilônia, destacam-se as Comunidades da
Babilônia e do Chapéu Mangueira.
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| O Leme em foto de Marc Ferrez (1890)
Em
1890, Marc Ferrez
fotografou o futuro bairro do Leme,
a partir do sopé do Morro do Vigia, na região do atual Forte Duque de
Caxias. À direita, vê-se o Morro
da Babilônia, no trecho que corresponde hoje à Rua General
Ribeiro da Costa. Nenhuma viva alma nas areias do
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| Projeto de arruamento do Leme (1894)
Em
1894, foi apresentado pela Empreza
de Construcções Civís, de Alexandre Wagner, Otto Simon e Theodoro Duvivier, um projeto para o arruamento do Leme e de Copacabana, do qual
reproduzimos o trecho entre a Rua Figueiredo de Magalhães e o Morro do
Leme. In "História dos Bairros - Memória Urbana -
Copacabana", de Elizabeth D.Cardoso et alii (João Fortes
Engª/Edit.Index, Rio, 1986).
Acha-se assinalada a posição originalmente planejada para a Rua Gustavo Sampaio, e que corresponderia aproximadamente ao atual Super-Mercado Zona Sul. O longo logradouro interno, paralelo à praia, seria a Rua de N. Srª de Copacabana, à época Rua Bernardo de Vasconcellos, que se iniciaria no Leme, na Praça do Vigia (Almte. Julio de Noronha), só se interrompendo atrás do futuro Copacabana Palace, aos pés do Morro do Inhangá. Seu trecho inicial acabou se tornando a atual Gustavo Sampaio. |
Na segunda metade do século XXIX, a partir de 1873, o capitalista e empreendedor Alexandre Wagner (imagem a seguir, dos arquivos da Família Duvivier) adquiriu três extensas áreas no distante arrabalde da Praia de Sacopenapan. Eram as Chácaras do Leme, do Sobral e do Boticário, que se estendiam do Morro do Vigia (Leme) até a Rua do Barrozo, atual Rua Siqueira Campos. Era todo o Leme de hoje e praticamente metade do bairro de Copacabana de nossos dias.
Dando vaso à sua antevisão, Wagner prosseguiu nas suas aquisições, completando-as com a compra de outra chácara, a do Fialho, no atual Posto Seis, entre as ruas Barcellos (Francisco Sá) e da Igrejinha (Francisco Otaviano).
Wagner formou então, com seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, a "Empreza de Construcções Civís", com o objetivo de vender esses terrenos, naquele "imenso areal" de que nos falava a cronista Eneida, assim construindo um novo bairro no Rio, a Copacabana de notoriedade internacional, hoje reconhecido símbolo da Cidade Maravilhosa.
Já em 1874 era apresentado um plano de arruamento para a Sacopenapan, mas que não foi levado adiante. Isso só foi possível quase vinte anos mais tarde, quando outro visionário, o engenheiro José de Cupertino Coelho Cintra, Gerente-Geral da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, abriu o chamado Túnel da Copacabana (Túnel Velho), trazendo os seus bondes de Botafogo para a Princesinha do Mar pelo final da Rua Real Grandeza até a Rua do Barrozo (Siqueira Campos).
A inauguração desse túnel por Coelho Cintra (foto ao lado) em 6.7.1892 deu o grande impulso que faltava para que Wagner, Simon e Duvivier vissem os seus planos se tornarem uma realidade, já que até então era muito penosa a ligação com Copacabana, somente possível pelas íngremes ladeiras do Leme e do Barrozo (Tabajaras/Siqueira Campos) ou por uma demorada viagem por Botafogo, Humaitá e as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, até a Igrejinha (Posto Seis).
Aberto o Túnel Velho, foi construída uma estação para os bondes na esquina da Rua do Barrozo com a N. Srª de Copacabana, na Praça Malvino Reis (Serzedelo Corrêa) - hoje o Centro Comercial de Copacabana - onde a linha se bifurcaria. Um ramal iria se dirigir até a Igrejinha, no Posto Seis. O outro seguiria na direção oposta, até o Leme, tendo sido inaugurado em 15.4.1900, ambos ainda com bondes de tração animal. Somente em 1.11.1901 aconteceu a primeira viagem de um bonde elétrico até Copacabana. A foto de Augusto Malta, ao lado, mostra o segundo prédio dessa estação, já na era dos elétricos.
Inicialmente, a estação final do Leme ficava na Rua Gustavo Sampaio, esquina de Thomé de Souza (Aurelino Leal). Em 14.6.1903 chegou ao Leme o primeiro bonde elétrico. E em 4.3.1906 houve a inauguração do Túnel Novo, com os bondes indo até uma nova estação no início da Gustavo Sampaio, em frente à praça. A Jardim Botânico já havia aumentado, em 1905, a área dessa estação, instalando ali um grande bar/restaurante, logo arrendado à Brahma. Em foto de 1906, ao lado, é vista a estação da Praça do Vigia.
O trajeto do bonde desse ramal era pelas ruas N. Srª de Copacabana, Inhangá, Barata Ribeiro, Duvivier, Buarque (Ministro Viveiros de Castro), Salvador Correia (Avenida Princesa Isabel) e Gustavo Sampaio, onde havia a estação final, no local hoje ocupado pelo Edifício Drª Regine Feigl, na Avenida Atlântica nº 270, em lote entre a Atlântica, a Gustavo Sampaio e a Praça Almirante Julio de Noronha.
Também existia uma estação intermediária na esquina da Rua Buarque com a Salvador Corrêa, para atender aos bondes que passavam pelo Túnel Novo, aberto quatorze anos após o pioneiro Túnel Velho. O local dessa estação corresponde hoje ao canteiro central da Avenida Princesa Isabel, que foi criada pelo necessário alargamento da antiga Rua Salvador Correia nas décadas de 1940 e 50, quando da abertura do Túnel Engenheiro Marques Porto, a segunda galeria do Túnel Novo. Vejam as duas fotos a seguir.
| O bonde chega ao Leme pelo Túnel Novo
À
esquerda: um bonde chega ao Leme
em 1906 pelo recém-aberto Túnel Novo, adentrando a Rua Salvador
Correia. Mais tarde alargado, corresponde à atual galeria
denominada Túnel Engenheiro Coelho Cintra, na saída de Copacabana para
Botafogo, ao lado do Teatro Villa-Lobos e do Real Residência.
Na outra foto, obtida do alto do Morro da Babilônia, é assinalada a estação que existiu na Rua Salvador Correia (Princesa Isabel), na esquina da Rua Buarque (Ministro Viveiros de Castro). Corresponderia, nos dias de hoje, a um ponto do canteiro central da Princesa Isabel, no alinhamento ímpar da Ministro, entre a Boite La Cicciolina e o banco HSBC. |
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Os bondes de Coelho Cintra, portanto, foram os verdadeiros impulsionadores do progresso no novel bairro do Leme. Aos poucos foram sendo negociados os seus terrenos e os de Copacabana, acabando por gerar a poderosa Indústria Imobiliária, de notável penetração e elevado valor econômico-social.
| O bairro do Leme em 2007
A
foto foi obtida do alto da Ladeira
Ari Barroso, mostrando uma vista parcial do bairro do Leme
e, no horizonte, a Ilha Rasa. © 2007, de J.C.Silva Costa, RJ.
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| Os bairros do Leme e da Urca
Em
reprodução parcial, o mapa (de 2008) do Instituto Municipal de
Urbanismo Pereira Passos mostra a localização de vários acidentes
geográficos e outros pontos de interesse dos bairros do Leme e da Urca.
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Para acessar os dados de um logradouro, clique no seu nome, na coluna à esquerda da tabela.
| L O G R A D O U R O | OBS. | C L |
|---|---|---|
| Aguinaldo Bezerra dos Santos, Rua | 21005-4 | |
| Almirante Julio de Noronha, Praça | 06465-9 | |
| Anchieta, Rua | 06506-0 | |
| Antonio Vieira, Rua | 06545-8 | |
| Ari Barroso, Ladeira | ( 1 ) | 08784-1 |
| Atlântica, Avenida | ( 2 ) | 06589-6 |
| Aurelino Leal, Rua | 06601-9 | |
| General Ribeiro da Costa, Rua | 06561-5 | |
| Gustavo Sampaio, Rua | 07333-8 | |
| Martim Afonso, Rua | ( 3 ) | 07675-2 |
| Nossa Senhora de Copacabana, Avenida | 06888-2 | |
| Roberto Dias Lopes, Rua | 13145-8 |
(1) A Ladeira Ari Barroso já teve um segundo CL (Código de Logradouro), 12824-9, cancelado após ter sido constatada a indevida duplicidade, ficando valendo apenas o CL mais antigo. Na listagem da SMF, Ari está erroneamente grafado com "y" (Ary).
(2) Embora a portaria do Grand Iberostar Copacabana Hotel, o antigo Le Meridien da cascata de fogos do réveillon, esteja na face da Avenida Princesa Isabel (que pertence a Copacabana), o lote está localizado e numerado pela Avenida Atlântica (nº 1.020), o que coloca o Hotel dentro dos limites legais do bairro do Leme.
(3) Na listagem da SMF, Martim está erroneamente grafado com "n" (Martin).
(4) O trecho inicial da Avenida Nossa Senhora de Copacabana até a esquina do lado par da Avenida Princesa Isabel (Unibanco) está no bairro do Leme.
Qual é o nome atual da antiga Praça do Vigia? Ou da Rua Araújo Gondim?
Sendo um pequeno bairro com apenas doze logradouros e pouco mais de um século de existência, o Leme não tem muito a contar neste tópico.
Ainda assim, aqui são relacionados os nomes antigos que conseguimos apurar.
A, Rua - É a rua que dava acesso à Rua da Vila e à Ladeira Ari Barroso. Assim está citada no PA nº 9.550. Corresponde ao lote nº 66 da Rua General Ribeiro da Costa.
ANTONIO CARLOS, Rua - Somente projetada. Começaria na Rua Bernardo de Vasconcellos e terminaria no Morro da Babilônia.
ARAÚJO GONDIM, Rua - Atual Rua General Ribeiro da Costa (a rua da Igreja N. Srª do Rosário e do início da Ladeira Ari Barroso), paralela à Rua Gustavo Sampaio.
BARÃO DE LUCENA, Rua do - Citada no Relatório de 1894 da Cia. Ferro-Carril do Jardim Botânico (anexo N, p.2). Há controvérsia sobre sua identificação: poderia ser a atual Rua Gustavo Sampaio ou a Praça Almirante Julio de Noronha.
BENTO DO AMARAL, Rua - Nome anterior da Avenida Atlântica, entre o seu começo no Leme a a Rua Siqueira Campos. Inicialmente era a Rua Seis dos planos de Alexandre Wagner.
BERNARDO DE VASCONCELLOS, Rua - Localização também controversa: poderia ter sido o início da Avenida Nossa Senhora de Copacabana ou então da Avenida Atlântica. Em 1953, C. J. Dunlop, em seu clássico "Apontamentos para a História dos Bondes no Rio de Janeiro", dizia: "A rua Bernardo de Vasconcelos começava na rua Siqueira Campos, seguia paralelamente à praia de Copacabana e terminava na rua Anchieta, no Leme. Parece corresponder às atuais avenida N. S. de Copacabana e rua Gustavo Sampaio".
COELHO CINTRA, Rua - Atual Ladeira do Leme. Teve esse nome durante pouco mais de dois anos, entre 6.4.1949 e 21.8.1951. Há mais de meio século (!) as placas na esquina da Praça Cardeal Arcoverde estão erradas. Desde então, (repetimos: 1951!) [Túnel Engenheiro] Coelho Cintra é o nome da galeria mais antiga do Túnel Novo, com mão de direção de tráfego de Copacabana para Botafogo, além de ser uma rua no bairro da Portuguesa, na Ilha do Governador.
(veja foto de 2007 ao lado e a observação ao final deste tópico)
CONSELHEIRO SOUZA FERREIRA, Rua - Atual trecho inicial da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
DOUTOR ARAÚJO GONDIM, Rua - Atual Rua General Ribeiro da Costa.
FELIPPE CAMARÃO, Rua - Constou de um antigo projeto de urbanização do bairro, que não foi executado.
JOSÉ BONIFÁCIO, Rua - Também constou desse projeto não executado.
JOSÉ DE ANCHIETA, Rua - Atual Rua Anchieta.
LEME, Caminho do - Atual Ladeira do Leme. (veja observação ao final deste tópico)
LEME, Estrada Real do - Idem.
MONTE CASEROS, Rua - Somente projetada. Começaria no Forte do Leme e terminaria em Copacabana, na Praça Martim Afonso (Cardeal Arcoverde).
NOSSA SENHORA DE COPACABANA, Praia de - Nome antigo da Avenida Atlântica, segundo o historiador Noronha Santos, e que constava de sua aceitação como logradouro público pela Municipalidade em agosto de 1894.
PADRE ANTONIO VIEIRA, Rua do - Nome antigo da atual Rua Antonio Vieira.
PROJETADA, Rua - Atual Rua Roberto Dias Lopes, paralela à Avenida Princesa Isabel (lado par), começando junto e depois do nº 12 da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
REAL, Estrada - Atual Ladeira do Leme. (veja observação ao final deste tópico)
SEIS, Rua - Atual Avenida Atlântica, no trecho entre o Leme e a Rua Siqueira Campos.
TELEGRAPHO - Posto telegráfico que existiu no final dos anos 1800, no Morro da Babilônia.
THOMÉ DE SOUZA, Rua - Atual Rua Aurelino Leal.
VIGIA, Morro do - Atual Morro do Leme, onde se encontra o Forte Duque de Caxias.
VIGIA, Praça do - Atual Praça Almirante Julio de Noronha. Teve esse nome por estar ao sopé do antigo Morro do Vigia, hoje chamado de Morro do Leme.
VILA, Rua da - Veja Rua A.
ObservaçõesCom a ressalva de linhas atrás, de que a Ladeira do Leme está na realidade situada entre os bairros de Botafogo e Copacabana, e não no do Leme, ainda assim resolvemos colocá-la nesta lista de Nomes Históricos, tão somente para não perder a oportunidade de registrar os detalhes deste curioso fato.
O Túnel Engenheiro Coelho Cintra, que já teve vários nomes ao longo dos tempos, inclusive os de Túnel do Leme e Túnel Novo, e também o Túnel Engenheiro Marques Porto, não são citados aqui, pela simples razão de terem início em Botafogo, com término em Copacabana, e portanto serem logradouros desses dois bairros, fora dos limites do Leme.
Para acessar os dados de um bem tombado, clique no seu nome, na coluna à esquerda da tabela.
| BEM TOMBADO | LOCAL | F | E | M |
|---|---|---|---|---|
| Morro da Babilônia | Acesso pela Ladeira Ari Barroso e Rua Aguinaldo Bezerra dos Santos | X | ||
| Conjunto Urbano- Paisagístico | Avenida Atlântica | X | ||
| Forte Duque de Caxias | Morro do Leme (acesso pela Praça Almirante Julio de Noronha) | X |


O Decreto municipal nº 5.280, de 1985, relaciona os mais de 150 bairros da cidade do Rio de Janeiro, determinando os limites oficiais exatos de cada um. Repetimos, a seguir, o mapa e o texto referentes ao bairro do Leme, que estão na página Legislação de Ruas Cariocas e obtidos no site da Prefeitura.
“Do Oceano Atlântico, no prolongamento da Avenida Princesa Isabel, seguindo por este e pela Avenida Princesa Isabel (excluída) até a Avenida Nossa Senhora de Copacabana; por esta (incluída) até a Rua Roberto Dias Lopes; por esta (incluída) até o seu final; daí, subindo o espigão em direção ao ponto culminante do Morro da Babilônia (cota 235m); deste ponto, descendo a vertente em direção à garganta dos morros do Urubu (excluído) e do Leme (incluído) até o Oceano Atlântico, e, pela orla marítima ao ponto de partida, incluindo sob sua jurisdição a Ilha de Cotunduba.”
| A Ilha de Cotunduba
A
reprodução parcial da Carta
Náutica nº 1511 - Barra do Rio de Janeiro (Diretoria de Hidrografia e
Navegação, Marinha do Brasil, 3ª edição, 1985) mostra a
localização da Ilha de Cotunduba
fora da Baía de Guanabara, fronteira ao Morro e à Ponta do Leme, e que
está incluída nos limites do bairro.
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Agradecemos ao Artista Plástico e Pintor Silva Costa pela permissão da utilização da foto de sua autoria, aqui divulgada e complementada com material gentilmente cedido pela Família Duvivier, e também pela Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha, assim como dos livros "História dos Bairros - Memória Urbana - Copacabana" de Elizabeth D. Cardoso et alii (João Fortes Engenharia/Editora Index, RJ, 1986) e "Apontamentos para a História dos Bondes no Rio de Janeiro" de Charles J. Dunlop (Editora Gráfica Laemmert, RJ, 1936), dos arquivos do historiador Milton de Mendonça Teixeira, dos sites Google, Google Earth, Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, Wikipédia e de n/arquivos.