A Rua Tucuman começa na Praia do Flamengo, entre os nºs 284 e 300, terminando na Rua Senador Vergueiro, entre os nºs 55 e 69. Acha-se localizada totalmente nos limites do bairro do Flamengo.
A Rua Tucuman em foto de satélite, do site Google Earth (2007).
A Rua Tucuman tem 60 metros de extensão, com mão dupla de direção de tráfego. É uma das menores ruas do Flamengo, em extensão (a menor é a Rua Gabriela Mistral, com 36 m). Seus quatro prédios são, na realidade, entradas de serviço e garagens dos edifícios das esquinas da Praia do Flamengo e da Rua Senador Vergueiro.
Como curiosidade, apontamos o fato de, hoje, somente três logradouros do bairro do Flamengo terem mão dupla de direção: a Praia do Flamengo, a Avenida Infante Dom Henrique e a Rua Tucuman.
No caso da Tucuman, isso é explicável porque por ela passavam os bondes entre a Praia e a Senador Vergueiro, daí a sua largura fora dos padrões existentes na maioria das outras ruas do bairro.
Mesmo após o fim da era dos bondes, nos anos 1960, foi mantida a mão dupla na Tucuman, facilitada pela largura da rua, sua pequena extensão e o reduzido volume de tráfego.
Em 8.6.1916 a Rua do Theatro, no Centro da Cidade, recebeu o nome de Tucuman, mas retornou à sua denominação original no ano seguinte, ao ser editado o Decreto nº 1.165, em 31.10.1917, que então atribuiu o nome Tucuman à antiga Travessa Cotegipe. A Legação da Argentina já estava instalada na Cotegipe desde o século anterior, ocupando todo o lado par, o antigo lote nº 11 da Senador Vergueiro.
A Rua Tucuman foi aberta no final do século XIX a partir da Rua Senador Vergueiro, em terrenos que se estendiam do antigo Caminho Velho de Botafogo até a orla marítima.
Tucumã ou Tucuman ? É a eterna confusão que existe nas placas das Ruas Cariocas, por se tentar aportuguesar certos nomes estrangeiros de pessoas ou de lugares, sem nenhum critério lógico.
O pior é encontrar numa mesma rua, no caso a Tucuman, placas com grafias conflitantes, como já aconteceu na Rua Tonelero, em Copacabana.
Na placa da esquina da Senador Vergueiro, no Edifício Mauricéa, o nome termina com "a-til" - errado. A uns 40 m de distância, na parede do Edifício Tucuman (esquina da Praia), a placa está 99% correta, com "an", conforme consta no decreto que nominou a rua e como realmente se escreve em espanhol o nome da província argentina.
Mas para o acerto ser de 100%, deveria levar um acento agudo no "a" da última sílaba: Tucumán.
Com vistas à Prefeitura, para, pelo menos, substituir a placa errada, a do "a-til" por uma com "an", como está no Decreto nº 1.165 de 1917.

Tucumán
"La Casa Histórica"
local onde foi proclamada a Independência
da Argentina
(antes e após a
sua restauração)
Tucumán é a Província argentina, em cuja capital, San Miguel de Tucumán, foi proclamada a Independência do país vizinho, em 9 de julho de 1816, na Casa Histórica.
Segundo o Aurélio, Tucumán é o nome de uma palmeira espinhosa, a "Astrocaryum tucuma", que pode chegar a 15 metros de altura.
Do site Tucumán Turismo, adaptamos o seguinte texto:
" (...) Segundo algumas fontes, o nome Tucumán é proveniente da corruptela da palavra quéchua "Yucumán", que significa "lugar onde nascem os rios".
Por outro lado, diz-se que a palavra Tucumán é derivada do termo quéchua "Tucma" que significa "onde terminam as coisas", indicando esta região como o último reduto inca, já que esteve povoada primitivamente por tribos de grande desenvolvimento cultural, que deixaram vestígios que ainda são conservados. (...) "
Quéchua (ou quíchua) ? Explica-nos o Aurélio: "Importante língua indígena sul-americana, ainda hoje falada na Bolívia, Argentina, Equador e Peru, e que foi língua geral do antigo império inca."
João Mauricio Wanderley
Barão de Cotegipe
(1815-1889)
Nº 55 - Residência do Barão de Cotegipe - Edifício Mauricéa - Segundo os historiadores Brasil Gerson e Morales de los Rios Fº, o Barão de Cotegipe residiu na esquina das ruas Tucuman e Senador Vergueiro, onde hoje existe o Edifício Mauricéa, com o nº 55 da Senador.
Era, na época, o nº 11 da Senador Vergueiro, com fundos na então futura Avenida Beira-Mar, a atual Praia do Flamengo, correspondendo hoje aos edifícios Mauricéa (na esquina da Senador) e Tucuman (na esquina da Praia).
Anteriormente, o Barão havia morado na Rua do Infante (Dois de Dezembro) e depois no Caminho Novo de Botafogo, atual Rua Marquês de Abrantes, na mansão (equivaleria ao nº 192 de hoje, pouco antes da Rua Clarice Índio do Brasil) que mais tarde foi ocupada pela Casa de Saúde São Geraldo, para ser finalmente demolida em meados do século passado para a construção de vários edifícios e trechos da Rua Paulo VI e da linha 1 do Metrô.
O Barão de Cotegipe ocupou importantes cargos no Segundo Império, tendo sido Ministro da Marinha, da Fazenda e dos Estrangeiros. A imagem acima é do site do Itamaraty.
Nos tempos atuais, o Barão tem o seu nome numa rua de Vila Isabel, partindo da Praça Barão de Drumond e paralela à Rua Teodoro da Silva.
Apesar do historiador Paulo Berger haver afirmado que Travessa Cotegipe era tão somente um nome não-reconhecido, encontramos essa nominação devidamente registrada em um PA de 1907, como se vê a seguir.
Um PA de 1907 mostra o Projeto de Arruamento da Avenida Beira-Mar,
aparecendo a Rua Tucuman com a denominação original de Travessa Cotegipe.
Reparem no tamanho do lote nº 11 da Senador Vergueiro, indo até a Praia.
Dos arquivos da Secretaria Municipal de Urbanismo.
Um outro detalhe interessante sobre a Rua Tucuman foi um pedido que tramitou na Prefeitura em 1941, para que a rua fosse prolongada até a Marquês de Abrantes, com a prevista demolição de vários prédios do Instituto Metodista Bennett, inclusive a sua bela sede, que havia sido a residência do médico Miguel Couto nos anos 1910-20.
Felizmente o bom senso prevaleceu, tendo o requerimento sido indeferido e arquivado em 2.8.1942, restando o PA nº 3.609, reproduzido a seguir, como prova dessa tentativa frustrada.
PA (Projeto de Alinhamento) nº 3.609, de 1941-42, quando se pretendia prolongar
a Rua Tucuman até a Marquês de Abrantes, com a desapropriação de boa parte dos
terrenos e prédios do Bennett. Dos arquivos da Secretaria Municipal de Urbanismo.
A Rua Tucuman, vista a partir da Praia do Flamengo.
Foto de n/arquivos (2007)