A Rua Senador Vergueiro começa na Praça José de Alencar e termina na Praia de Botafogo. Está localizada totalmente nos limites do bairro do Flamengo. Tem 962 metros de extensão por 20 metros de largura, segundo o PAA nº 8.662.
Recebeu o seu nome atual em 20.2.1866 por ato da Illustrissima Camara, tendo sido confirmado pelo Decreto nº 1.165, de 31.10.1917, com o qual se fez um verdadeiro recadastramento dos logradouros públicos da cidade.
Localização da Rua Senador Vergueiro, no Flamengo
Folha 29 (parcial) do Mapa do Município do Rio de Janeiro (escala 1:10.000)
Editora Geográfica Paulini, R. Senador Dantas 75-J, RJ.
Foto de satélite - altitude virtual: 1 km - de http://Earth.Google.com
Identifique outras ruas, comparando com o mapa logo acima.
Após a morte do Senador Vergueiro (veja biografia mais abaixo, em Quem Foi?) em 1859, o governo imperial quis homenagear sua memória e em 1866 decidiu mudar o nome do Caminho Velho de Botafogo para Rua do Senador Vergueiro, sendo retirado o "do" em 1917, numa simplificação que atingiu uma boa parte dos nomes dos logradouros públicos da época.
A Rua Senador Vergueiro é uma das mais antigas do Rio de Janeiro, sabendo-se que já em 1575, meros 10 anos após ser fundada a cidade, há cerca de 430 anos, era conhecida como o Caminho da Pedreira, pois ligava a Ponte do Salema, que existia sobre o Rio Carioca no local da atual Praça José de Alencar, à pedreira do Morro da Viúva, de onde os padres beneditinos, no século seguinte, iriam retirar as pedras para a construção do Mosteiro de São Bento, perto da atual Praça Mauá, no Centro.
Para esse fim, os beneditinos obtiveram em 1618 uma sesmaria de 20 braças (44 m) no Morro, com acesso pela (futura) Senador Vergueiro, conforme nos conta Vieira Fazenda na Revista do IHGB, nas suas "Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro".
A passagem para o Morro da Viúva era aproximadamente na região da atual Rua Barão de Icaraí, pelo que se pode deduzir da localização da pedreira, registrada na tela de Augusto Müller (ca.1840), exposta no Museu Dom João VI, da Escola de Belas Artes, no campus da Cidade Universitária do Fundão.
Mapa levantado em 1769-70 pelo Sargento-Mór de Engenheiros Francisco José
Roscio (vista parcial). A Praia do Flamengo também aparece com o seu antigo nome,
Praia do Sapateiro. O atual Morro da Nova Cintra, na altura da Rua Bento Lisboa,
era então chamado de "Morros da Pedreira".
Num mapa de 1770, de Francisco José Roscio, reproduzido parcialmente acima, a Senador Vergueiro aparece como a continuação do Caminho da Praia Vermelha (antes Caminho do Boqueirão da Glória, depois Estrada e hoje Rua do Catete), vinda desde a atual José de Alencar e margeando o Rio Carioca, que fazia um estranho trajeto em direção à hoje Rua Tucuman; para, após uma curva de retorno bem acentuada, voltar até a atual Barão do Flamengo. Nesse mapa, inclusive, não está traçado o caminho até a foz, na Praia do Sapateiro, um dos antigos nomes da Praia do Flamengo.
Esses caminhos da Glória, Catete e Flamengo eram a passagem que existia até a Praia de Francisco Velho, mais tarde chamada de Praia de João Pereira de Sousa Botafogo e finalmente Praia de Botafogo até hoje, para as pessoas que demandavam o Engenho d'El Rey (depois Engenho Nossa Senhora da Conceição), que existia por trás da sede do atual Jardim Botânico. As ruinas desse engenho de açúcar, o segundo construido no Rio de Janeiro (o primeiro foi na Tijuca), ainda hoje podem ser vistas. A sede do engenho foi restaurada em 1992-94.
Nos anos 1780, por ordem do quarto Vice-Rei (1779-1790), D.Luis de Vasconcelos e Sousa, a futura Senador Vergueiro recebeu alguns melhoramentos. Em 20.2.1866, a rua recebeu o seu nome atual por ato da Ilustríssima Câmara, que foi referendado em 20.3.1866.
No relatório do Ministro do Império à Assembléia Legislativa, em 1847, há um trecho que diz: "...rebaixou-se a [ponte] do Caminho Velho do Botafogo...", após haver citado a Ponte do Catete que existia no Largo do mesmo nome (atual Praça José de Alencar). Onde seria essa ponte do Caminho Velho? Deve ter sido no trecho que margeava o Rio Carioca, muito provavelmente em frente à (hoje) esquina da Travessa dos Tamoios.
Se pensarmos em termos dos nossos dias, a Churrascaria Majórica, o Posto Comodoro de combustíveis ao seu lado, o Restaurante Garota do Flamengo, o cinema Estação Paissandu, todos eles estão hoje na nesga de terra entre o Carioca e o seu retorno, na região logo acima da legenda Rio Carioca, no topo deste mapa.
A Senador Vergueiro é a rota que mal se distingue no mapa, entre o rio e a borda superior da figura. Continuava em direção à Praia de Botafogo, com o nome de Caminho da Pedreira ou de Botafogo (no final do século XIX já era conhecida como o Caminho Velho de Botafogo) desde a atual José de Alencar.
Na verdade, o trajeto básico da Senador Vergueiro não sofreu nenhuma alteração de grande monta, ao longo dos tempos. Estima-se que a pedreira do Morro da Viúva era acessada através de uma pequena trilha, que hoje corresponderia à Rua Barão de Icaraí.
De uma certa forma, o traçado sinuoso do Rio Carioca talvez explique o fato de, até hoje nas grandes chuvas, a Senador Vergueiro alagar com facilidade entre a Travessa dos Tamoios e a Rua Tucuman, devido a uma visível depressão ali existente.
Já no início do século vinte, esse problema era registrado pelos fotógrafos da época, como se vê a seguir, com as águas da violenta ressaca de julho de 1925 entrando pela Tucuman e chegando a inundar a Senador Vergueiro nesse trecho.
Ressaca em julho de 1925 alaga a Rua Senador Vergueiro.
O vistoso portão, à esquerda, corresponde aproximadamente
ao local onde agora se encontra o cine Estação Paissandu (foto Bippus).
Hoje o rio passa no subsolo da Rua Conde de Baependi, depois sob a Praça José de Alencar e a Rua Barão do Flamengo, retificado e canalizado no governo Pereira Passos, nos primeiros anos do século vinte. Pelo visto, na época desta foto, mesmo não mais passando por ali o rio, havia ficado a depressão, mais ao fundo da imagem, na altura da Rua Tucuman, e provavelmente, tal como ainda hoje, a rede de águas pluviais não dava vazão a um volume maior do precioso líquido, daí o alagamento flagrado pelo fotógrafo atento.
Em maio de 2007, mais uma vez as águas de um forte temporal invadiram o saguão de entrada do cine Estação Paissandu e o salão de vendas do supermercado Zona Sul, sendo fácil de se imaginar os transtornos que isso causa.
Nicolau Pereira de Campos Vergueiro
Senador Vergueiro
(1778-1859)
Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, o Senador Vergueiro, nasceu em Val de Porca, hoje Macedo de Cavaleiros, Trás-os-Montes, Portugal, em 20.12.1778, e faleceu no Rio de Janeiro em 18.9.1859. Foi grande fazendeiro de café no interior paulista e destacado político durante o Brasil Império.
Doutor em Leis por Coimbra em 1801, Vergueiro mudou-se para o Brasil em 1803. No ano seguinte, desposou D. Maria Angélica de Vasconcellos, de importante família da capital paulista, e assumiu a função de advogado no Fórum de São Paulo, cargo que exerceu até 1815.
Em 1813, foi nomeado Vereador da Câmara Municipal de São Paulo. Foi Juiz das Sesmarias da Província e Juiz Ordinário de São Paulo de 1811 até 1816.
Seu espírito empreendedor levou-o também a se dedicar a pioneiras atividades agrícolas, em terras da região das atuais cidades de Piracicaba e Limeira, no interior paulista, onde, nesta última, possuia a extensa Sesmaria de Morro Azul, originalmente em sociedade com o Brigadeiro Luis Antonio de Souza, que daria mais tarde seu nome à importante artéria da capital paulista.
A Fazenda Ibicaba, do Senador Vergueiro, chegou a ser, em determinada época, a maior produtora de café do Brasil Império.
Em 1821, às vésperas da Independência do Brasil, de que foi um dos principais articuladores, tornou-se membro do governo provisório da província de São Paulo. Em 1828, quando deputado em São Paulo, Dom Pedro I nomeou-o Senador por Minas Gerais.
Em 1831, por ocasião da abdicação de Dom Pedro I, foi designado como um dos membros da Regência Trina Provisória, para governar o país até a maioridade de Dom Pedro II, o que aconteceu em 1840, tendo o Imperador apenas 14 anos de idade. Em 22.5.1847 assumiu a Secretaria da Justiça, no 7º Gabinete (de Manuel Alves Branco) do Imperador Dom Pedro II.
Como parlamentar, sempre defendeu posições liberais e anti-escravistas. Nas décadas de 1840 e 1850 foi pioneiro na introdução de imigrantes europeus em suas fazendas paulistas de café em Campinas e Limeira.
Em 1854, era Senador do Império, por Minas Gerais, e na Corte era Gentilhomem Honorário.
Note-se que também em São Paulo seu nome ficou lembrado na conhecida Rua Vergueiro.
( Senador Vergueiro: imagem do site http://www.bairrodocatete.com.br )
Faremos, a seguir, um detalhado relato do que existiu e existe nos terrenos da Rua Senador Vergueiro, começando pelo lado ímpar da sua numeração, lembrando que ela se inicia na Praça José de Alencar. Portanto falaremos inicialmente sobre o lado esquerdo da rua, de quem caminha em direção a Botafogo, no sentido contrário ao fluxo do trânsito.
Lembramos que a numeração citada refere-se à época do fato narrado, podendo ter sido alterada para os dias de hoje ou até mesmo cancelada. Isso será informado a cada instância. As datas mais recentes, a partir dos anos 1980, referem-se ao momento em que fizemos a apuração dos respectivos dados.
Há conhecimento de pelo menos 3 numerações na Senador Vergueiro: a primeira, anterior a 1879; a segunda, de autoria de Cruvello Cavalcanti, de 1879 até o início do século XX; e a terceira, a partir de então. Isso dificulta as referências, mas com um pouco de paciência (e muita sorte...) podemos chegar à identificação dos vários prédios e lotes ao longo da rua.
Alguns prédios e terrenos, tanto do passado como do presente, não estão relacionados, por ainda não havermos conseguido maiores detalhes sobre eles em nossas pesquisas, mas serão acrescentados logo que possível.
Ao final destes Detalhes, reproduzimos as páginas relativas à Rua Senador Vergueiro, da obra Nova Numeração dos Prédios da Cidade do Rio de Janeiro, de João Cruvello Cavalcanti, que executou com maestria esse serviço em 1878, deixando-nos excelente material impresso, publicado pela Prefeitura em edição fac-similar durante a gestão do Prefeito Marcos Tamoyo, nos anos 1970.
São dois volumes com praticamente todas as ruas do Rio, além de dados sobre os critérios adotados, inclusive a legislação. A obra pertence à Coleção Memória do Rio, cuja edição foi coordenada pelo historiador Paulo Berger.
O Almanaque Laemmert foi uma publicação anual que existiu entre 1844 e meados do século XX, no Rio de Janeiro. Cada exemplar chegou a ter cerca de 1.000 páginas, com numerosas e valiosas informações sobre a administração pública, o comércio, a indústria, os nomes e endereços dos principais habitantes do Rio de Janeiro, anúncios, etc.
Um nosso colaborador compilou uma relação de alguns moradores da Rua Senador Vergueiro, conforme aparecem no Almanaque de 1880, e que colocamos neste site na página <Rio em Gotas>, dentro do tópico "Almanak Laemmert", além de tentar esclarecer uma velha dúvida: aquela rua em Copacabana deveria se chamar "Figueiredo Magalhães" ou "Figueiredo de Magalhães" ?
Os textos a seguir acham-se ainda em construção, faltando inúmeras informações e fotos, que serão paulatinamente colocadas e relacionadas em <Novidades>. Pedimos a compreensão de todos, inclusive para os comentários provisórios e os lembretes de edição eventualmente incluídos em alguns tópicos.