A Rua Marquês de Paraná começa na Rua Senador Vergueiro, entre os nºs 186 e 192, terminando na Rua Marquês de Abrantes. Está localizada totalmente nos limites do bairro do Flamengo.
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Rua Marquês de Paraná, no bairro do Flamengo
Foto de satélite - do site Google Earth. |
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A rua tem apenas um quarteirão com 140 metros de extensão e mão única de direção de tráfego, no sentido da Rua Marquês de Abrantes para a Rua Senador Vergueiro. A quase totalidade de seus prédios é de utilização exclusivamente residencial, existindo, entretanto, um posto de combustíveis de bandeira Esso na esquina da Marquês de Abrantes e um pequeno comércio nas lojas dos prédios dos dois extremos do lado par.
No trabalho de Cruvello Cavalcanti, "Nova Numeração dos Prédios da Cidade do Rio de Janeiro", de 1878-79, não há registro deste logradouro, nem da Rua Barão de Icaraí. Apenas aparecem os nomes da Marquesa de Paraná e do Barão de Icaraí como proprietários, residentes nas ruas Marquês de Abrantes 27-31 e Senador Vergueiro 49-55, respectivamente.
Inicialmente a rua era conhecida como Travessa do Marquês de Paraná. No raiar do século XX mudou para Rua Marquês de Paraná, nome confirmado pelo Decreto nº 1.165 de 31.10.1917.
Honorio Hermeto Carneiro Leão
Marquês de Paraná
(1801-1856)
Honorio Hermeto Carneiro Leão, o Marquês de Paraná, nascido em São Carlos de Jacuí, MG, em 11.1.1801 e falecido em 3.9.1856, de hepatite, no Rio de Janeiro, foi um dos mais importantes políticos do Brasil Império.
O Marquês de Paraná e sua mulher (e prima) Maria Henriqueta residiam em extensa chácara na Rua Marquês de Abrantes (à época ainda chamada de Caminho Novo de Botafogo), entre as atuais ruas Fernando Osório e Marquês de Paraná.
Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e no retorno ao Brasil dedicou-se inicialmente à magistratura, sendo nomeado em 1826 juiz de fora em São Sebastião (SP). Em 1828 passa a ser Auditor da Marinha e, a seguir, Ouvidor da cidade do Rio de Janeiro.
Aos 29 anos, Dom Pedro eleva-o a Desembargador da Relação de Pernambuco. Logo foi eleito deputado (1830) por Minas Gerais e em 1832 a Regência Trina, que havia assumido o poder devido a renúncia do Imperador, indicou-o para Ministro da Justiça. Tinha então apenas 31 anos de idade.
Como um dos fundadores do Partido Moderador, foi seu líder na Assembléia Geral Legislativa até 1840, na época em que nela pontificavam José de Alencar, Evaristo da Veiga, Paula Souza e Francisco de Almeida Torres, entre outros.
Sucederam-se outras missões importantes: presidente da Província do Rio de Janeiro em 1841-42, Senador em 1841, Conselheiro de Estado no ano seguinte, Chefe do Gabinete em 20.1.1843, novamente Ministro da Justiça em 1843 e dos Estrangeiros. Em 1849-50 foi presidente da Província de Pernambuco.
Em 1851, como chefe de missão diplomática, negociou uma aliança com o Uruguai, de Urquiza, para combater o argentino Rosas, garantindo a consolidação da independência do Uruguai. Retornando ao Brasil, liderou o Gabinete nesse ano, sendo seu Ministro da Fazenda.
Visconde por decreto de 26.7.1852, recebeu o título de Marquês em 2.12.1854, por sinal, a data de aniversário de Dom Pedro II. Ao lado, o brasão do Marquês de Paraná, em reprodução monocromática.
Em 1854 assumiu a Provedoria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, imprimindo uma administração dinâmica, que o fez merecedor do reconhecimento daquela secular instituição, colocando sua efígie ao lado de José Clemente Pereira, destacado Provedor da Santa Casa.
Até sua morte em 1856, sempre ocupou posições de destaque no Governo, exercendo com maestria os mais diferentes cargos. Sob o seu seguro comando, prestigiou a organização de numerosas empresas e bancos emissores, além de ter incentivado os primeiros passos para a navegação a vapor, no país.
Uma palavra o define melhor: Estadista.
Quer saber mais sobre o homenageado? Uma extensa e ilustrada biografia do Marquês de Paraná foi publicada pela Editora Abril, de São Paulo, em 1969, como o fascículo nº 24 da série "Grandes Personagens da Nossa História - Carneiro Leão".
Em 1962 a Biblioteca do Exército editou o livro "Marquês do Paraná - Um varão do Império", de Maurílio de Gouveia, que havia recebido o Prêmio Pandiá Calógeras em 1959. Em suas quase 300 páginas, o Autor descreve com extremas minúcias a vida de Honorio Hermeto e de sua profícua participação no cenário da Côrte, nos anos oitocentos.
A ilustração do início deste tópico é a reprodução de um quadro a óleo por Emilio Bauch, de 1856, da coleção de seu bisneto Henrique Carneiro Leão Teixeira Filho (Museu Imperial, Petrópolis, RJ).
Um busto seu, em bronze, pode ser apreciado na Galeria Histórica do Itamaraty, no Rio de Janeiro.
(obs.: nossos agradecimentos ao IHGB Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e ao Colégio Brasileiro de Genealogia, do Rio de Janeiro, pelas informações deste tópico)
Parentes em ruas contíguas: conforme comentamos na página da Rua Arno Konder, não são muitos os casos de parentes com seus nomes em ruas contíguas, nos cerca de 22 mil logradouros públicos oficialmente reconhecidos do Rio de Janeiro.
O Flamengo hoje participa desse seleto grupo com a Rua Barão de Icaraí, que tem em seu entorno a Rua Honório de Barros e outras três que já tiveram nomes de seus familiares.
Sugerimos a leitura do que relatamos a esse respeito, na página da Rua Barão de Icaraí.
Esta observação é aqui repetida, porque o Barão de Icaraí acabou entrelaçando as duas famílias, ao se casar com Maria Emilia, filha dos Marqueses de Paraná. Com isto, mais uma rua, a Marquês de Paraná, tornou-se participante dessa curiosa estatística, já que praticamente os dois logradouros são um a continuação do outro, como pode ser observado na foto de satélite, no início desta página.
Nº 3 - Residência de Fred Figner - Antes de 1912, residiu na Marquês de Paraná, Fred Figner. Era dono da afamada Casa Edison, pioneira na venda de discos, e um dos líderes do Espiritismo no Rio de Janeiro. Depois ele mudou-se para a vizinha Marquês de Abrantes, onde se instalou na bela mansão do nº 99, hoje sede do SENAC e tombada pelo Patrimônio Histórico do município.
A Rua Marquês de Paraná, a partir da esquina da Rua Senador Vergueiro. Os prédios ao fundo são da Rua Marquês de Abrantes. Foto de n/arquivos (2007).
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Na esquina das ruas Marquês de Paraná e Senador Vergueiro, o velho sobrado resiste aos novos tempos. Foto de n/arquivos (2007).
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