A Rua Senador Euzebio começa no entroncamento das ruas Samuel Morse e Gabriela Mistral, terminando na Rua Cruz Lima, entre os nºs 23 e 33, em frente ao Argentina Hotel. Está localizada totalmente nos limites do bairro do Flamengo.
A Rua Senador Euzebio, em foto de satélite, do site Google Earth.
O logradouro tem 220 metros de extensão, com mão única de direção de tráfego, no sentido da Avenida Osvaldo Cruz e da Rua Samuel Morse para a Rua Cruz Lima. Praticamente todos os seus prédios são de utilização residencial, existindo, entretanto, desde 1972, em frente ao nº 40, um local para carga e descarga de mercadorias do supermercado Sendas, da Rua Senador Vergueiro nº 137.
A rua chamou-se inicialmente Travessa Umbelina, ao ser aberta no final do século XIX, nos terrenos que pertenciam ao Barão de Icaraí. E somente ia até a esquina da Rua Princesa Januária, então ainda Travessa Januária.
Já no início do século XX, ela foi estendida inicialmente até os fundos da Vila São Vicente, da Rua Cruz Lima nº 29 (em frente ao atual Argentina Hotel). Um muro então bloqueava o trânsito de veículos, mas um pequeno portão de madeira permitia a passagem de pedestres.
Com a derrubada das casas da Vila São Vicente, para a construção dos prédios da Rua Cruz Lima nºs 23 e 33, foi finalmente demolido esse muro, tendo a Construtora Pereira Bokel doado em 1974 ao município uma parte do terreno do Edifício Gonda (Cruz Lima nº 33) para a abertura da Rua Senador Euzebio até o seu final atual.
O Decreto nº 8.453 de 28.1.1946 determinou a alteração para Rua Senador Euzebio, nome que até pouco antes identificava o logradouro que dera lugar ao atual lado par (trecho de subida, entre o Campo de Santana e a Cidade Nova, ao longo do Canal do Mangue), da Avenida Presidente Vargas, construída em 1941-44.
As ruas abertas no final dos anos oitocentos na propriedade do Barão de Icaraí receberam inicialmente nomes de seus familiares, mas após alterações havidas em algumas, são hoje as ruas Princesa Januária (ex-Travessa Januária), Senador Euzebio (ex-Travessa Umbelina), Gabriela Mistral (ex-Rua Maria Emilia) e Samuel Morse (ex-Rua Constantino). Só mantiveram seus nomes originais a própria Barão de Icaraí e a Honório de Barros.
Identifique-as na foto de satélite, no início desta página, ou no mapa em Detalhes, mais adiante.
Euzebio de Queiroz Coutinho Mattozo da Camara
Senador Euzebio
(1812-1868)
O Senador Euzebio de Queiroz Coutinho Mattozo da Camara nasceu em 27.12.1812 na cidade angolana de São Paulo de Luanda, filho do Conselheiro Euzebio de Queiroz Coutinho da Silva e de Catarina Mattozo de Queiroz. Faleceu em 7.5.1868, no Rio de Janeiro.
Seu pai veio transferido da África para o Brasil em fins de 1825, tendo, portanto, o Senador Euzebio recebido sua educação formal já no Brasil. Formou-se em Direito pela Faculdade de Olinda. Foi Juiz de Direito, Juiz do Crime, Juiz de Fora, Desembargador Geral da Educação Primária e Secundária da Corte, Chefe de Polícia e Ministro da Justiça.
Exerceu os mandatos de Deputado Provincial (1838-41), de Deputado Geral (por quatro vezes, entre 1843 e 1854) e de Senador (de 1854 até sua morte em 1868).
Era Cavaleiro da Ordem de Cristo, Comendador da Ordem da Rosa e Comendador da Ordem de Medsidie (Turquia).
Parentes em ruas contíguas: conforme comentamos na página da Rua Arno Konder, não são muitos os casos de parentes com seus nomes em ruas contíguas, nos mais de vinte e dois mil logradouros públicos oficialmente reconhecidos do Rio.
O Flamengo hoje participa desse seleto grupo com a Rua Barão de Icaraí, que tem, por exemplo, como sua paralela na quadra seguinte, na direção Botafogo, a Rua Honório de Barros.
Como relatamos no tópico inicial, outras ruas da região enquadravam-se nessa situação, mas, à semelhança do que aconteceu em Ipanema, elas mais tarde tiveram seus nomes alterados.
No caso da Rua Senador Euzebio, ela teve inicialmente o nome de Travessa Umbelina. A D. Umbelina Virginia de Oliveira foi a esposa de Honório de Barros, filho do Barão de Icaraí.
O atual homenageado é o Senador Euzebio de Queiroz Coutinho Mattozo da Camara, biografado linhas acima. Ele foi o grande incentivador do uso do telégrafo no Brasil Império, tendo agora seu nome definitivamente ligado ao inventor do Código Morse, já que a Rua Senador Euzebio inicia-se no término da Rua Samuel Morse. Na prática, uma rua é a continuação da outra.
Nº 35 - Gruta Nossa Senhora de Lourdes - O terreno da Igreja da Santíssima Trindade, com frente para a Rua Senador Vergueiro nº 141, vai até a Senador Euzebio, tal como seus dois vizinhos, o supermercado Casas Sendas (Vergueiro nº 137) e o Edifício Senator (Vergueiro nº 147/Euzebio nº 29). No final do lote da igreja existe um oratório, sempre muito procurado pelos fiéis, frequentadores daquele templo católico. É a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, que pode ser acessada tanto pela Senador Vergueiro (corredor à direita da Igreja) como pelo portão da Senador Euzebio.
A Gruta Nossa Senhora de Lourdes,
da Igreja da Santíssima Trindade. Foto de n/arquivos (2007).
Nº ... - Casas Sendas - O atual local de carga e descarga de mercadorias do supermercado Sendas da Senador Vergueiro nº 137 havia sido em 1942-45 o endereço da Thornycroft Mecânica e Importação, revendedora dos automóveis franceses Citröen, que anteriormente estivera na Marquês de Abrantes nº 102. Em 8.2.1972, Pedro Oliveira Santos Filho vendeu essa loja para a Casa Mar e Terra Comestíveis, mais tarde comprada pelas Casas Sendas.
Nº 40 - Marco Gastão Penalva - Edifício Saint Exupéry - O Edifício Saint Exupéry foi erguido nos anos 1960 pela Servenco, após a demolição da Embaixada da França, da Praia do Flamengo, cujo terreno terminava ali. Aquele era o local onde se encontrava o Marco Gastão Penalva desde 1938, mas desaparecido durante a demolição da embaixada em 1962. Mais detalhes em A Casa de Pedra.
Frente do Edifício Saint Exupéry, nº 40, local onde existiu o Marco
Gastão Penalva entre 1938 e 1962. Foto de n/arquivos (2007).
A Rua Senador Euzebio, vista a partir da Rua Cruz Lima. Foto de n/arquivos (2007).
E veja em Flamengo - O Bairro em Gotas - A Casa de Pedra a história da Itaoca, a Casa de Pedra, a primeira construção dos portugueses nas terras cariocas, erguida em 1531, e que teve sua localização estimada na confluência da Rua Princesa Januária com a antiga Travessa Umbelina (atual Rua Senador Euzebio).
As ruas Barão de Icaraí, Princesa Januária, Maria Emília e Constantino,
e a Travessa Umbelina, atual Rua Senador Euzebio. No centro da figura,
o "X" indica a provável localização da Itaoca, a legendária Casa de Pedra.
PAA nº 2.640, de 1936, dos arquivos da PCRJ/SMU.