A Rua Dois de Dezembro começa na Praia do Flamengo, junto e antes do nº 158, terminando na Rua Bento Lisboa, já no Catete. O trecho inicial, entre a Praia do Flamengo e a Rua do Catete, está localizado nos limites do bairro do Flamengo. O quarteirão final pertence ao bairro do Catete.
O trecho do bairro do Flamengo da Rua Dois de Dezembro,
entre a Praia e a Rua do Catete, em imagem do site Google Earth.
A rua tem 500 metros de extensão, com mão única de direção de tráfego, no sentido da Rua Bento Lisboa para a Praia do Flamengo.
O trecho da Praia do Flamengo até a Rua do Catete, com 310 metros de extensão, foi aberto como Rua do Infante em 1854 nos terrenos de Manoel Pinheiro Guimarães, que também cederia terras de sua chácara para a abertura da vizinha Machado de Assis (à época, Rua do Pinheiro) e para o Beco (hoje Rua) do Pinheiro, interligando as duas ruas.
O trecho entre as ruas do Catete e da Pedreira da Candelária (hoje Bento Lisboa), com 190 metros de extensão, foi aberto com o nome de Dous de Dezembro em 2.12.1858 na chácara da Rua do Catete nº 140, de propriedade do Comendador Francisco João Soller e de sua mulher D. Carolina Fausta Pinto Ferreira.
Em sessão de 1.6.1874 a Ilmª Câmara colocou os dois trechos sob uma única denominação, a atual.
Em 21.2.1890 houve uma tentativa do governo republicano recém-instalado, de mudar o nome da rua para Cristóvão Colombo, pois Dois de Dezembro era uma homenagem a Dom Pedro II, lembrando sua data natalícia. De nada adiantou, pois o povo continuou a chamar a rua pelo nome original.
Finalmente em 1906 ela voltou a ser Dois de Dezembro e o nome Cristóvão Colombo foi dado a um trecho da Avenida Atlântica, numa nova tentativa inútil de se querer impor à população uma indesejada troca de nome, mas que também não durou muito.
Dois de Dezembro
Data natalícia de
Dom Pedro II
D. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo
Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula
Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga
(1825-1891)
O Imperador Dom Pedro II é natural do Rio de Janeiro, tendo nascido no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, em 2 de dezembro de 1825. Em 7.4.1831, com a abdicação de seu pai, foi aclamado como o novo Imperador, com pouco mais de cinco anos de idade. Proclamado maior em 1840, foi coroado em 18.7.1841 e governou o Brasil durante quase cinquenta anos.
Homem de sólida cultura, tinha fluência em francês, inglês e alemão, além da língua pátria. Casou-se em 1842 com a Princesa Teresa Cristina Maria, filha de Francisco I, Rei das Duas Sicílias, e de Maria Isabel de Bourbon.
As mudanças políticas no país, ao final dos anos 1880, culminaram com a Proclamação da República em 15.11.1889. Deportado pelo Governo Republicano, o Imperador foi para a Europa, com sua família e alguns colaboradores mais próximos. A Imperatriz Teresa Cristina morreu em Portugal logo após a sua chegada, e o Imperador foi viver na França, com a sua saúde combalida por diabetes.
Dom Pedro II faleceu em 5.12.1891 em Paris. Foi enterrado em Lisboa ao lado da esposa e os restos mortais do casal foram finalmente trazidos de volta ao Brasil, estando sepultados na Catedral de Petrópolis desde 1925.
A seguir, a descrição de alguns prédios da Rua Dois de Dezembro.
Lado ímpar
Nº 9 - Fundação Octavio Mangabeira - Nos anos 1960-70. Era o órgão de governo, instituido pelo Governador Carlos Lacerda, que coordenava os investimentos na área de educação. Seu nome homenageava o grande político baiano, que ocupou o cargo, entre outros, de Ministro das Relações Exteriores de 1927 a 1930. Em 2007 o pequeno prédio abriga um templo evangélico da Assembléia de Deus.
Nº 13 - Hotel Select - Em 1937, era a outra entrada do Hotel Select, que tinha sua portaria principal na Praia do Flamengo nº 168 (hoje Edifício Select).
Nº 23 - Residência de Marc Ferrez - Em 1913, residência de Marc Ferrez, o famoso fotógrafo do Rio na segunda metade do século XIX.
Naquele ano, uma grande ressaca no Flamengo destruiu uma considerável parte da recém-construida Avenida Beira-Mar, com as águas invadindo as ruas vizinhas, inundando o porão da moradia de Ferrez e inutilizando a maior parte dos álbuns que reproduziam todas as plantas e os desenhos originais da construção da Avenida Central.
Felizmente, foram salvos exemplares suficientes para se refazer a obra original, reeditada em 1982 pela João Fortes Engenharia e a Editora Ex-Libris: "Avenida Central - 6 de Março de 1903 - 15 de Novembro de 1906".
( esquina da Rua do Pinheiro )
Nº 39 - Carlos de Figueiredo - Em 1908, agência de automóveis.
Nº 63/65/67 - Estação Provisória Sul - Museu do Telephone - Museu das Telecomunicações Oi Futuro - Em 19.5.1918, no nº 67, foi inaugurada a Estação Provisória Sul, com capacidade de 1.200 linhas telefônicas, mas com apenas 837 funcionando nos primeiros momentos.
Em 13 de dezembro do mesmo ano foi inaugurada a instalação definitiva, nos nºs 63 e 65. A capacidade foi aumentada para 4.200 linhas, com 2.597 em funcionamento imediato.
Em meados do século XX, precisando de maior área para aumentar o seu atendimento ao bairro, a Cia. Telefônica Brasileira adquiriu então um extenso terreno na mesma rua, nº 107, logo acima da Rua do Catete, para onde transferiu sua aparelhagem. Eram as estações 25 e 45 do Flamengo, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho e Santa Teresa.
O prédio da antiga Estação Sul no nº 63 ficou inaproveitado por muitos anos, até que em 1981 a Companhia resolveu ali instalar o Museu do Telephone. Recentemente reformado pela Oi-Telemar, foi reinaugurado em 29.1.2007 agora como Museu das Telecomunicações Oi Futuro e nele hoje podem ser vistos aparelhos originais de mais de um século e as listas telefônicas desde 1910, para consulta pelos interessados.
A foto ao lado mostra o belo portão da antiga Estação Telephonica Sul, hoje transformada em museu.
Nº 81 - Garagem Automobilium - Garagem Fluminense - Edifício Pena Ametista - Em 1913, era a Garagem Automobilium, de Carlos de Figueiredo, que também tinha uma agência de automóveis no nº 39. Garagem Fluminense em 1924 e hoje o Edifício Pena Ametista.
Nesse trecho, há atualmente inúmeros bares e restaurantes em "puxadinhos" no calçadão da Rua Dois de Dezembro.
( esquina da Rua do Catete )
Nº 107 - Estação Telefônica - Atual estação telefônica da antiga Companhia Telefônica Brasileira, hoje Oi-Telemar, que atende os bairros circunvizinhos.
Nº 141 - Armazem Malange - Na esquina da Rua Bento Lisboa, em 1913 existia um armazém, de propriedade de Antonio Borges Freire. O velho prédio, do final do século XIX, ainda resiste ao tempo. Veja a foto ao lado.
Lado par
Nº 2 - Banhos de Mar Flamengo - No final do século XIX, o banho de mar na pequena praia, na foz do Rio Carioca, começava a ser habitual. Para os habitantes do bairro, não havia muito problema em sair de suas casas já com os compridos calções e maiôs da época.
Mas para quem vinha de mais distante, onde trocar de roupa e guardar seus pertences? "Find a need and fill it" ("Encontre uma necessidade e preencha-a"), já diziam os marqueteiros desde aqueles tempos.
Isso levou, em 1895, a Manoel de Sousa Pinheiro a se instalar na esquina da Praia com a Dois de Dezembro, na área que hoje corresponde ao prédio da Promon Engenharia, com os Banhos de Mar Flamengo, para atender a esse público. Em 1907, a proprietária já era a Vva. Lindem.
Nº 6 - Residência de Olavo Bilac - Aqui morou o Poeta, em 1908, que depois se mudou para a Rua Álvaro Ramos, em Botafogo.
Nº 38 - Avenida do Commercio - Vila Flamengo - Edifício Dois de Dezembro Office Tower - Em 1913 era a Avenida do Commercio. Já nos anos 1950 era a Vila Flamengo. Na virada do milênio, era um estacionamento de veículos e em 2005 foi inaugurado o Edifício Dois de Dezembro Office Tower, de escritórios comerciais.
Nº 78 - Catete Business Center - Na esquina da Rua do Catete, com uma galeria de lojas no térreo.
( esquina da Rua do Catete )
Nº 124 - Distincto Hotel - Edifício Alaska - Em 1937, era o Distincto Hotel, onde morava o Desembargador J. J. Seabra (1855-1942), destacado político baiano, por duas vezes Governador de seu estado natal, além de ter sido Ministro da Justiça de Rodrigues Alves e Ministro da Viação de Hermes da Fonseca. Hoje o nº 124 é o Edifício Alaska.
Outros Moradores
Também moraram na Dois de Dezembro, em diferentes épocas, o Barão de Cotegipe, o Senador Belisário de Souza e o pintor Zeferino da Costa (decorador da Igreja da Candelária).
Os Bondes da Botanical Garden

A principal concessionária do serviço de bondes na cidade, no final dos anos oitocentos, era a Botanical Garden, a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, que tinha sua sede no Largo do Machado.
Na foto ao lado, o prédio mais alto é a sede da Botanical Garden. No lado esquerdo, o primeiro prédio é o centenário Café Lamas, hoje na Marquês de Abrantes nº 18.
Até 1892, os bondes eram de tração animal e as principais cocheiras da companhia ficavam na quadra delimitada pelas ruas do Catete, do Pinheiro (hoje Machado de Assis) e Dois de Dezembro, e o Beco (hoje Rua) do Pinheiro, na área da antiga chácara de Manoel Pinheiro Guimarães.
Foi então instalada na Dois de Dezembro a primeira usina elétrica para a movimentação dos bondes, pelo engenheiro José Cupertino Coelho Cintra (foto ao lado), tendo o primeiro bonde elétrico circulado na tarde de 8.10.1892 entre o Largo da Carioca, no Centro, e a Rua Dois de Dezembro, numa linha ao longo da Praia do Flamengo. Foi seu passageiro mais ilustre o Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto, além de diversas personalidades da época.
Após uma parada na usina elétrica da Dois de Dezembro (localizada no que hoje é o grande galpão da sede do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB-RJ), o bonde prosseguiu em sua viagem inaugural até o Largo do Machado. O principal cronista do fato foi Machado de Assis, que, impressionado com o motorneiro, escreveu em seu relato: "... sentia-se nele a convicção de que inventara não só o bonde elétrico, mas a própria eletricidade".
Coelho Cintra é considerado como tendo sido "O Pai de Copacabana", porque levou seus bondes até aquele imenso areal, abrindo o Túnel Velho no final dos anos oitocentos, e logo após o Túnel Novo, assim concorrendo para popularizar o bairro que então nascia. Mais tarde foi Prefeito de Recife.
Na foto ao lado, os passageiros da 1ª viagem de um bonde elétrico no Rio de Janeiro. A partir da esquerda: o engº Antonio Leite Chermont, o mecânico-eletricista Mitchell, o engº Coelho Cintra, o Almte. Custódio de Mello, o Presidente da República Mal. Floriano Peixoto, o presidente da Jardim Botânico Barão Ribeiro de Almeida, e o ajudante de ordens de Floriano.
Outros Fatos e Fotos
Na esquina da Rua Dois de Dezembro, com a Praia do Flamengo, por onde é numerado (nº 158), o popularmente chamado Castelinho do Flamengo é uma pitoresca construção de 1916, que foi transformada pelo Prefeito Marcello Alencar em dezembro de 1992, a pedido da FLAMA - Associação de Moradores e Amigos do Flamengo, no Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, mostrado ao lado, em foto da Secretaria Municipal de Urbanismo.
No prédio tombado em 1984 pelo Patrimônio Histórico municipal, periodicamente são realizadas exposições e outras atividades culturais, sempre com animada participação dos moradores do Flamengo e de outros bairros da cidade.
Em Flamengo - Tombamentos há uma detalhada história do Castelinho do Flamengo.