Corria o ano de 1501. A recém-descoberta Terra de Santa Cruz começava a ter sua costa explorada pelos navegadores portugueses que haviam chegado no ano anterior ao sul da Bahia.
Em 1º de janeiro de 1502 uma pequena frota, sob o comando de Gonçalo Coelho, vê-se frente a algo que lhe pareceu ser a foz de um grande rio. Foi a visão inicial do que mais tarde seria conhecido como o Rio de Janeiro.
O navegador dirige suas naus para adentrar este "rio". Logo à sua esquerda, encontra um rio real, que os nativos depois chamaram de Akarioca, desembocando no meio de uma extensa praia, conhecida pelos indígenas como Uruçumirim.
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O mapa de Luiz Teixeira (1573)
Mapa da Baía de Guanabara - por Luiz Teixeira (1573) - Biblioteca da Ajuda, Lisboa - já se assinalava o rio Acarioca, desaguando no Flamengo. |
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O tal rio vinha a ser o hoje tão falado Carioca, aquele mesmo que sucessivas obras ao longo dos tempos trouxeram a sua foz para as proximidades do Restaurante Porcão Rio's, frente ao Morro da Viúva, nas cercanias da Ponta de Tamandaré.
Ali os portugueses abastecem-se de água e num segundo momento erguem uma tosca casa de pedra, a primeira a ser construída nas Américas, e logo os índios Tamoios a chamam de Itaoca (ita=pedra, oca=casa).
Durante alguns séculos, a pergunta ficou no ar: onde ficaria a tal Itaoca, que ainda nos anos 1700 teve suas fundações supostamente encontradas?
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A localização da Itaoca
Projeto de Alinhamento (PA) da Prefeitura, nº 2640 (de 1936), mostrando no centro da imagem ("X") a região onde provavelmente foi construída a Itaoca, a Casa de Pedra. Os nomes atuais da Rua Constantino, da Rua Maria Emilia e da Travessa Umbelina são, respectivamente, Samuel Morse, Gabriela Mistral e Senador Euzebio. Dos arquivos da Secretaria Municipal de Urbanismo. |
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Alguns pesquisadores se dedicaram a tentar localizá-la e chegaram a um ponto aproximado, nas imediações das Ruas Senador Euzebio e Princesa Januária, ali pertinho da Avenida Osvaldo Cruz. É a região mostrada no centro da figura logo acima.
O escritor Gastão Penalva, em 12 de dezembro de 1938, colocou na Rua Senador Euzebio um Marco que tinha uma placa de bronze com dizeres relativos a esse fato. Como tantas outras, a placa foi roubada e o marco, sem nenhuma outra identificação, foi arrancado em 1962 e jogado no lixo!
Agora vocês entenderam o título deste texto?
Tudo no Rio começou exatamente no nosso bairro do Flamengo! O primeiro desembarque, a primeira construção dos portugueses em terras cariocas, tudo se deu neste pedaço privilegiado! E isso, mais de meio século antes de Estácio de Sá aqui chegar para expulsar os invasores franceses e finalmente fundar a Cidade Maravilhosa, em 1565.
Tem, portanto, o Flamengo a honra de ter sido o primeiro chão carioca pisado pelos navegadores de além-mar e que nele ergueram a lendária Itaoca, há meio milênio.
Neste espaço da Internet, pretendemos contar a história do desenvolvimento urbano do Flamengo ao longo desse largo período, relatando curiosidades sobre suas ruas, suas construções e seus habitantes.
Falaremos, por exemplo, da Praça de Touradas que existiu em frente ao Bennett, na Visconde do Cruzeiro. Da Fábrica Santa Margarida de tecido para meias, na Cruz Lima. Dos gatos da Baronesa do Flamengo, ali no hoje Posto Sacor da José de Alencar.
Do pediatra Rinaldo de Lamare, morador da Buarque de Macedo, e do milhão de exemplares de seu famoso livro sobre os bebês, um clássico da literatura brasileira. Do Castelinho dos Martinelli na Osvaldo Cruz, onde o então deputado Barreto Pinto foi fotografado de cueca para a revista O Cruzeiro, causando sua cassação.
Sobre os mais de quatro séculos de existência da Senador Vergueiro. Do esplendoroso Hotel Central, na esquina da Barão do Flamengo com a Praia, considerado por muitos na época de sua inauguração, em 1915, como o mais luxuoso hotel do Brasil.
Da Ponta de Tamandaré, na foz do Rio Carioca, e de sua "irmã-gêmea", a Ponta do Barroso na Marina da Glória.
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Ponta de Tamandaré
Foz do Rio Carioca - Ponta de Tamandaré - Restaurante Porcão Rio's. Foto de satélite, do site Google Earth - coordenadas geográficas (por GPS) informadas pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil. |
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Da retirada das pedras do Morro da Viúva, há 400 anos, para se construir o Mosteiro de São Bento, e muito mais tarde, já nos anos 1900, para esculpir o Obelisco da Avenida Rio Branco, na Cinelândia, e em 1938 para o Marco Gastão Penalva.
Da Fortaleza do Morro da Viúva, que existiu de 1863 até 1922 onde hoje está a chamada "sede nova do Flamengo".
Da Ponte do Salema, que deriva seu nome de Antônio Salema, o 3º Governador do Rio de Janeiro, e que foi construída em 1575 como passagem sobre o Rio Carioca, no local onde hoje é a Praça José de Alencar, ligando o final da atual Rua do Catete ao Caminho que vai para a Lagoa, hoje Rua Senador Vergueiro. Já naquela época era cobrado um pedágio, que existiu até a segunda metade do século XIX.
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Ponte do Salema
Ponte do Salema sobre o Rio Carioca, na região da atual Praça José de Alencar. Cobrava-se pedágio para a sua travessia em 1575. Em 1831 foi colocado um novo posto de pedágio junto à ponte, no início da Rua Marquês de Abrantes. Óleo de William Gore Ouseley (1832).
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Da tentativa, felizmente indeferida, de se prolongar a Rua Tucuman até a Marquês de Abrantes, em 1941, cortando o terreno e demolindo alguns prédios do Bennett, inclusive o de sua sede.
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Rua Tucuman
Rua Tucuman - projeto de seu prolongamento até a Rua Marquês de Abrantes. Vide PA nº 3.609 - dos arquivos da Secretaria Municipal de Urbanismo. |
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E muito mais. Serão momentos de convívio com as recordações de quem viveu 51 anos no Flamengo e que espera deixar para as gerações atuais e futuras um pouco do que aprendeu durante sua moradia no bairro.
Esta é a relação dos logradouros públicos do bairro do Flamengo oficialmente reconhecidos e nominados pela Prefeitura, estando assinalados em azul os que já tem sua descrição detalhada neste site.
Para acessar os dados de um logradouro, clique no seu nome, na coluna à esquerda da tabela.
O número de 6 algarismos após o nome do logradouro corresponde ao CL - Código do Logradouro, que é usado pela SMF (Secretaria Municipal de Fazenda) para emissão de carnês do IPTU.
As observações estão relacionadas após a tabela.
| L O G R A D O U R O | OBS. | C L |
|---|---|---|
| Almirante Tamandaré, Rua | 06471-7 | |
| Arno Konder, Rua | 21267-0 | |
| Arquiteto Aécio Sampaio, Passarela | 14005-3 | |
| Austregésilo de Athayde, Praça | 20811-6 | |
| Barão de Icaraí, Rua | 06631-6 | |
| Barão do Flamengo, Rua | 06628-2 | |
| Brigadeiro Eduardo Gomes, Parque | ( 1 ) | 11484-3 |
| Buarque de Macedo, Rua | 06718-1 | |
| Canoinhas, Praça | 00337-6 | |
| Conde de Baependí, Rua | 06861-9 | |
| Corrêa Dutra, Rua | 06902-1 | |
| Cruz Lima, Rua | 06919-5 | |
| Cuauhtémoque, Praça | 09620-6 | |
| Desembargador Sady Gusmão, Rua | 13121-9 | |
| Dois de Dezembro, Rua | 06970-8 | |
| Fernando Moncôrvo, Passarela | 14006-1 | |
| Fernando Osório, Rua | ( 2 ) | 07159-7 |
| Ferreira Viana, Rua | 07174-6 | |
| Flamengo, Praia do | 07183-7 | |
| Gabriela Mistral, Rua | 07641-4 | |
| Honório de Barros, Rua | 07358-5 | |
| Infante Dom Henrique, Avenida | ( 3 ) | 10526-2 |
| Irineu Bornhausen, Rua | ( 4 ) | ....... |
| José de Alencar, Praça | 07478-1 | |
| Machado de Assis, Rua | 07580-4 | |
| Marquês de Abrantes, Rua | 07666-1 | |
| Marquês de Paraná, Rua | 07668-7 | |
| Martins Ribeiro, Rua | 07683-6 | |
| Osvaldo Cruz, Avenida | 07832-9 | |
| Paissandu, Rua | 07891-5 | |
| Paulo VI, Rua | 16245-3 | |
| Pinheiro, Rua do | ( 5 ) | 07932-7 |
| Princesa Januária, Rua | 07976-4 | |
| Rui Barbosa, Avenida | 08047-3 | |
| Samuel Morse, Rua | 06886-6 | |
| São Salvador, Rua | 08131-5 | |
| Senador Euzebio, Rua | 08297-4 | |
| Senador Vergueiro, Rua | 08162-0 | |
| Silveira Martins, Rua | 08184-4 | |
| Tamoios, Travessa dos | 08231-3 | |
| Tucuman, Rua | ( 6 ) | 08285-9 |
| Visconde do Cruzeiro, Rua | ( 7 ) | 08360-0 |
OBSERVAÇÕES:
(1) A Lei Municipal nº 1.219, de 1988, oriunda de projeto do Sr. Vereador Américo Camargo, dividiu o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes em dois trechos, o primeiro mantendo esse nome entre o Aeroporto Santos-Dumont e o Monumento aos Pracinhas, e o segundo entre o Monumento e o início da Praia de Botafogo, com o nome de Parque Carlos Lacerda. E alguns documentos oficiais ainda chamam a área de Parque do Flamengo.
Esclarecemos que a nominação de um logradouro é prerrogativa exclusiva do Poder Executivo. Qualquer ato da Câmara Municipal nessa matéria deve ser entendido como tão somente um pedido, uma sugestão ao Prefeito, não como uma determinação. A numeração que apuramos, lançada pela SMF, é a do Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, que consta como logradouro do bairro da Glória, onde tem seu início.
(2) Na SMF a rua está erroneamente grafada como Ozório.
(3) Na SMF a avenida consta como bairro da Glória, onde começa.
(4) Rua ainda não cadastrada na SMF.
(5) Na SMF a rua ainda consta erroneamente com o tipo anterior (Beco).
(6) Na SMF a rua está erroneamente grafada como Tucumam.
(7) Na SMF a rua está erroneamente grafada como Visconde de Cruzeiro.
NOTA: Por quê "erroneamente grafada" ? Porque, legalmente, o tipo e o nome de um logradouro são os que constam no artigo 1º do respectivo decreto de sua nominação, publicado no Diário Oficial, mesmo que no D.O. exista algum erro, por qualquer motivo. Enquanto não for corrigido por nova publicação, "vale o que está escrito".
E o órgão da Prefeitura responsável pela manutenção do arquivo-mestre dos nomes oficiais é a Divisão de Logradouros do Departamento de Cadastro Técnico da Secretaria Municipal de Urbanismo. Qualquer outra implementação de banco de dados com essas informações acaba trazendo pequenos erros de digitação, perfeitamente evitáveis se o interessado tiver o cuidado de usar somente a listagem da SMU e proceder a uma revisão muito cuidadosa, letra a letra, acento a acento, do que estiver fazendo.
Programa Favela-Bairro : COMUNIDADE DO MORRO AZUL
O Decreto nº 25.482, de 16.6.2005, reconheceu oficialmente 22 logradouros públicos na Comunidade do Morro Azul, localizada entre a Rua Paulo VI / Estação Flamengo do Metrô e a Rua Pinheiro Machado. São listados a seguir.
| L O G R A D O U R O | OBS. |
|---|---|
| Bibiano Pereira da Rocha, Rua | ( 8 ) |
| Marechal Bento Manoel, Rua | ( 9 ) |
| Albertina Soares Ribeiro, Travessa | |
| Alexandre das Dores, Travessa | |
| Amor do Azul, Travessa | |
| Associação do Azul, Travessa | |
| Concha, Praça da | |
| Confraternização do Azul, Travessa | |
| Denis Rodrigues Lábio, Beco | |
| Esperança do Azul, Beco | |
| Felicidade do Azul, Beco | |
| Floripes Maria de Castro Barbosa, Travessa | |
| Generosa do Azul, Travessa | |
| Lírio do Azul, Travessa | |
| Mariano Bernardo de Freitas, Travessa | |
| Miolo do Azul, Praça | |
| Namoro do Azul, Praça | |
| Nossa Senhora de Lourdes do Azul, Praça | |
| Palmeira do Azul, Beco | |
| Reservatório do Azul, Praça | |
| Ronaldo Medina Fortes, Travessa | |
| Sossego do Azul, Travessa |
OUTRAS OBSERVAÇÕES:
(8) É a rua de acesso ao Morro Azul, pelo lado do Flamengo, começando logo após a Fundação Romão Duarte, no lado par da Rua Paulo VI, 160m depois da Rua Paissandu, e terminando com 480m de extensão.
(9) É a rua de acesso ao Morro Azul, pelo lado de Botafogo, em frente à Universidade Santa Úrsula. Ganhou um trecho final, já no Morro Azul e portanto no bairro do Flamengo.
Você sabe qual é o nome atual da antiga Travessa Cotegipe? Ou da Avenida Sete de Setembro? Ou da Rua de Vila?
"O quê? Tudo isso no Flamengo?", você deve estar perguntando, surpreso.
Sim, com certeza! Antes de apresentarmos a lista dos Nomes Históricos ligados ao bairro, vamos logo matar a sua curiosidade.
A Travessa Cotegipe é hoje a Rua Tucuman. Esse nome, Cotegipe, não era oficial, segundo o historiador Paulo Berger, mas surgiu devido ao costume de se identificar o logradouro pelo nome de um seu morador ilustre ou do mais antigo. O Barão de Cotegipe morou justamente na esquina da Rua Senador Vergueiro com a Tucuman, no local hoje ocupado pelo Edifício Mauricéa.
E a Avenida Sete de Setembro? É a atual Avenida Rui Barbosa, que contorna o Morro da Viúva. Aliás, o nome Sete de Setembro havia sido escolhido por estar prevista sua inauguração durante as comemorações do Centenário da Independência em 7.9.1922, como de fato ocorreu. Outro nome que chegou a ser cogitado naquela época foi o de Avenida do Contorno, por motivo bem óbvio.
A Rua de Vila era o nome inicial da Rua Desembargador Sady Gusmão, a última rua do lado direito da Avenida Osvaldo Cruz, antes de Botafogo, e que a liga à Rua Senador Vergueiro. Teve anteriormente o nome de Travessa Domingos Teodomiro.
Vamos então aos velhos nomes, alguns, provavelmente, já de seu conhecimento. A maioria dos nomes está aqui com uma citação muito curta (por ex., "Guedes, Travessa do - atual Travessa dos Tamoios"), mas na seção anterior desta página, <Os Logradouros do Bairro>, cada rua tem uma descrição mais pormenorizada, inclusive sobre o nome antigo e a mudança para o atual.
ACARIOCA - a região do trecho final do Rio Carioca, no atual bairro do Flamengo, conforme o mapa do Rio de Janeiro, por Luis Teixeira, em 1573-78, reproduzido na abertura desta página.
AMENDOEIRA, Curva da - região da atual Praça Cuauhtémoque, na confluência da Praia do Flamengo e das Avenidas Osvaldo Cruz e Rui Barbosa. Também conhecida como a Praça do "Índio", por nela estar a bela estátua do último Imperador azteca, que reinou nos anos iniciais do século XVI, mas que foi derrotado e enforcado pelo invasor espanhol Cortés em 1525. A praça sofreu uma ampliação no início dos anos 1990, feita pela Fundação Parques e Jardins, da Prefeitura. No local existiu uma grande amendoeira desde 1900, que identificou a área. Ao lado, o Imperador azteca, em ilustração de site do governo mexicano.
BARÃO DE ICARAÍ, Travessa do - atual Rua Barão de Icaraí, que liga a Avenida Osvaldo Cruz à Rua Senador Vergueiro.
BEIRA-MAR, Avenida - ao ser inaugurada em 1906 por seu idealizador, o prefeito Pereira Passos, a avenida estendia-se por cerca de 5.200 metros, desde o Obelisco, no final da Avenida Central (mais tarde Rio Branco), até o fim da Praia de Botafogo, na região do (já demolido) Pavilhão Mourisco, junto ao Morro do Pasmado. Com a derrubada do Morro do Castelo em 1922 pelo Prefeito Carlos Sampaio, ganhou alguns quarteirões até as proximidades do (à época, ainda futuro) Aeroporto Santos-Dumont mas aos poucos foi perdendo trechos a que foram dadas novas denominações e hoje a Avenida Beira-Mar termina na altura do prédio da Manchete, onde se inicia a Praia do Flamengo. Outros trechos atuais: Avenida Osvaldo Cruz e Praia de Botafogo. Ao ser construída em 1903-06, a Avenida Beira-Mar era também chamada de "Promenade des Anglais".
BELA DA PRINCESA, Rua - teve este nome no tempo do Brasil Império. É a atual Rua Corrêa Dutra.
BELA DO PRÍNCIPE, Rua - atual Rua Silveira Martins.
BIRAOURUÇU-MIRIM - um dos nomes indígenas do Flamengo, nos anos 1500.
BOTAFOGO, Caminho da Ponte do Catete até a Praia do - atual Rua Marquês de Abrantes.
BOTAFOGO, Caminho Novo de - idem.
BOTAFOGO, Caminho Velho de - atual Rua Senador Vergueiro.
BOTAFOGO, Estrada de (ou do) - atual Rua Marquês de Abrantes.
BOTAFOGO, Rua de - idem.
BRIQUETERIE - a olaria dos franceses nos anos 1555-65, antes de Estácio de Sá fundar a cidade. Fala-se que estaria localizada às margens do Rio Carioca, talvez na região da atual Praça José de Alencar. "Brique", em francês, significa "tijolo".
CABOCLAS, Rio das - um dos nomes antigos do Rio Carioca.
CARIOCA - a região entre o Rio Carioca e Botafogo, no século XVI.
CARIOCA, Aldeia da - aldeamento feito por Martim Afonso de Souza em 1531, provavelmente entre a foz do Rio Carioca e o Morro da Viúva, onde foram construídos dois batelões, nos três meses de permanência do navegador português em terras cariocas. Ali se localizava a Casa de Pedra. Também conhecida como Aldeia de Martim Afonso de Souza.
CARIOCA, Ilha da - Até meados do século XIX, a região entre a foz do Rio Carioca e a do Rio Catete, entre este último e a Glória, incluindo, portanto, o Outeiro da Glória.
CARIOCA, Ponta da - até o século XIX, a região do Outeiro da Glória, local atual do Hotel Glória, que foi erguido no terreno onde em 1816 morou Joachim Lebreton (1760-1819), chefe da Missão Artística Francesa trazida por Dom João VI. Mais tarde, nos anos 1850-60, o mesmo local hospedaria o engenheiro John Frederick Russel, introdutor do sistema de esgotos no Rio de Janeiro, inaugurado por sua empresa The Rio de Janeiro City Improvements Co. Ltd. (a "City", como ficou conhecida), em 1864. Russel acabou tendo o seu nome dado ao trecho.
CARIOCA, Praia da - atual Praia do Flamengo.
CASA DE PEDRA - veja Itaoca.
CASTELINHO DO FLAMENGO - nome popular do Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, localizado na Praia do Flamengo nº 158, na esquina da Rua Dois de Dezembro. Foto dos arquivos da Secretaria Municipal de Urbanismo.
CATETE, Largo do - atual Praça José de Alencar.
CATETE, Ponte do - mais detalhes nesta página, em <O Bairro em Gotas>, a seguir.
CATETE, Praça do - atual Praça José de Alencar.
CATETE, Rio do - braço do Rio Carioca, que se iniciava após a Ponte do Salema e seguia paralelo à atual Rua do Catete, até contornar o Outeiro da Glória e desaguar na Baía de Guanabara.
CATETE, Sítio do - atual Praça José de Alencar.
COMANDANTE SILVEIRA, Rua do - atual Rua Silveira Martins. Fonte: Almanaque Laemmert de 1908.
CONCÓRDIA, Rua da - atual Rua Conde de Baependí.
CONSELHEIRO BUARQUE DE MACEDO, Rua do - atual Rua Buarque de Macedo.
CONTORNO, Avenida do - atual Avenida Rui Barbosa. Teve este nome e o de Avenida Sete de Setembro durante a sua abertura em 1921-22; do Contorno, por estar em volta do Morro da Viúva, e Sete de Setembro, por estar prevista a sua inauguração naquela data de 1922, ano do Centenário da Independência do Brasil, quando de fato ocorreu, mas já com o nome do grande tribuno baiano.
CONSTANTINO, Rua - atual Rua Samuel Morse. Constantino era um dos filhos do Barão de Icaraí, que doou os terrenos para a abertura da rua.
COTEGIPE, Travessa - atual Rua Tucuman. O Barão de Cotegipe morava num palacete na esquina da Travessa com a Rua Senador Vergueiro, no local hoje ocupado pelo Edifício Mauricéa, nº 55 daquela rua.
CRISTÓVÃO COLOMBO, Rua - atual Rua Dois de Dezembro. Entre 1889 e 1906 teve este nome, numa tentativa do recém-instalado governo republicano de acabar com a recordação do aniversário de Dom Pedro II, mas isto não foi aceito pela população, que obrigou o retorno à tradicional denominação. Por algum tempo, o nome do navegador genovês passou então a identificar um longo trecho da atual Avenida Atlântica, em Copacabana.
CRUZ LIMA, Travessa do - atual Rua Cruz Lima.
DOMINGOS TEODOMIRO, Travessa - antiga Rua de Vila - atual Rua Desembargador Sady Gusmão. Na Lista de Endereços da Cia. Telefônica Brasileira (CTB) de 1974-75, a travessa é citada incorretamente como Domingos Teodoro, não como Teodomiro, com inicío na Avenida Osvaldo Cruz 106, mas sem nenhum assinante de telefone.
DOUTOR CORRÊA DUTRA, Rua do - atual Rua Corrêa Dutra.
DOUTOR FERREIRA VIANA, Rua do - atual Rua Ferreira Viana.
FEIRINHA, Beco da - atual Rua Irineu Bornhausen.
FERREIRA DE ALMEIDA, Rua - atual Rua Conde de Baependí.
FERREIRA VIANA, Praça - atual Praça José de Alencar.
FLAMENGO, Morro do - atual Morro da Viúva.
FLAMENGO, Pedra do - atual Morro da Viúva. Aparece com este nome no mapa de Rangel Bulhões, de 1791.
FLAMENGO, Travessa do - atual Rua Cruz Lima, ou Rua Tucuman ou Rua Machado de Assis. Assim citada em diferentes documentos, não tendo sido possível aclarar a dúvida.
FORMOSA DO PRÍNCIPE, Rua - atual Rua Silveira Martins.
GASTÃO PENALVA, Marco - existiu na então Travessa Umbelina, hoje Rua Senador Euzebio, entre 1938 e os anos 1960-70. Marcava a região onde foi erguida a Casa de Pedra, primeira construção dos portugueses nas terras cariocas, mais de 30 anos antes da formal fundação da cidade por Estácio de Sá. Seu inacreditável desaparecimento está documentado e descrito com detalhes, depoimentos e fotos em <O Bairro em Gotas>, ao final desta página.
GUEDES, Travessa do - atual Travessa dos Tamoios.
HENRYVILLE - vilarejo que os franceses tentaram estabelecer no Flamengo em 1555.
IBIRAGUAÇU-MIRIM - um dos nomes atribuidos à Praia de Uruçumirim, por alguns historiadores.
ÍNDIO, Praça do - veja Praça Cuauhtémoque.
INFANTE, Rua do - atual Rua Dois de Dezembro.
ITAOCA - nome de origem indígena, significando Casa de Pedra. Ita = "pedra" e oca = "casa". Por sinal, cari = "homem branco", donde Carioca = "casa do homem branco".
JANUÁRIA, Travessa - atual Rua Princesa Januária.
LAGOA, Caminho que vai para a - atual Rua Senador Vergueiro.
LARANJEIRAS, Rio das - um dos nomes do Rio Carioca.
LAVADEIRAS, Rio das - idem.
LERIPE, Morro do - nome dado anteriormente ao Outeiro da Glória e depois ao Morro da Viúva. Leripe significa "ostra".
LERIPE, Praia do - atual Praia do Flamengo.
LÉRY, Praia do - atual Praia do Flamengo. Referência a Jean de Léry, francês da época de Villegaignon (1555-65).
LIGAÇÃO, Avenida da - atual Avenida Osvaldo Cruz. Foi planejada ainda como sendo um trecho da Avenida Beira-Mar, mas ao ser construída no início do século XX, recebeu este nome porque era a "ligação" entre a Praia do Flamengo e a de Botafogo.
LOTTA MACEDO SOARES, Passarela - atual Passarela Fernando Moncôrvo, em frente à quadra da Praia do Flamengo entre as Ruas Almirante Tamandaré e Barão do Flamengo, sobre a Avenida Infante Dom Henrique (as pistas do Parque). A arquiteta e urbanista Maria Carlota Costallat de Macedo Soares (1910-1967) foi a superintendente das obras do Aterro do Flamengo, durante o governo Carlos Lacerda, em 1960-65. Mais na direção da Glória, junto à Passarela Arquiteto Aécio Sampaio e os campos de futebol, em frente aos jardins do Palácio do Catete, existe o Parque Infantil Lotta Macedo Soares, cercado por cantaria do paredão original da antiga Praia do Flamengo, da época pré-aterro.
Em novembro de 1995, a Dona Lotta recebeu outra homenagem, com a colocação, pela Vereadora Leila do Flamengo (DEM-RJ), de uma placa do Departamento Geral do Patrimônio Cultural com dizeres relativos à sua atuação na construção do Parque, na área do Teatro de Marionetes Carlos Werneck de Carvalho, perto da passagem subterrânea fronteira à Rua Tucuman e ao Bar Belmonte.
E nova homenagem à Dona Lotta foi realizada em janeiro de 2005, quando teve o seu nome dado pela Prefeitura ao Deck sobre o Rio Carioca - veja descrição e fotos, mais adiante, em <O Bairro em Gotas - Deck Lotta>.
MANGUEIRAS, Chácara das - extenso terreno entre a Rua Marquês de Abrantes e o Morro Azul (à época, Morro Mundo Novo), onde existiu o Grande Hotel, de Américo Vidal, e é hoje ocupado pela Fundação Romão de Mattos Duarte, a Casa dos Expostos, da Santa Casa de Misericórdia.
MARIA EMÍLIA, Rua - atual Rua Gabriela Mistral. Maria Emília era uma das filhas do Barão de Icaraí, proprietário dos terrenos onde foi aberta a rua no final do século XIX.
MARINHEIROS, Aguada dos - Nos anos 1500, a região do Flamengo, na foz do Rio Carioca, onde os navios eram reabastecidos de água potável.
MARQUÊS DE ABRANTES, Travessa do - atual Rua Visconde do Cruzeiro.
MARQUÊS DE PARANÁ, Travessa do - atual Rua Marquês de Paraná.
MARTIM AFONSO DE SOUZA, Aldeia de - vide Aldeia da Carioca.
MORRO AZUL, Estação - nome original da atual estação Flamengo da Linha 1 do Metrô, na Rua Marquês de Abrantes. Teve este nome desde a sua inauguração em 18.9.1981 até a troca três meses mais tarde, em 23.12.1981, depois de votação pública para escolha da nova denominação, já que poucas pessoas ligavam o nome Morro Azul ao local da estação. Num dos projetos do Metrô, entretanto, o nome previsto era Marquês de Abrantes, mas que não vingou. Aliás, são interessantes alguns nomes de estações previstos no PA nº 8.982 de 1971 e que estão relacionados no tópico <Metrô Linha 1> em <Rio em Gotas>.
NAMORADO, Praia do - a Praia do Flamengo nos anos 1500. Assim chamada, por nela haver residido em 1567 o primeiro juiz da cidade, Pedro Martins Namorado, na Casa de Pedra.
NERI FERREIRA, Rua - atual Rua São Salvador.
NOVA DE JOÃO DA CUNHA, Rua - atual Rua Corrêa Dutra (o trecho entre a Rua do Catete e a Bento Lisboa).
NOVA DO PINHEIRO, Rua - atual Rua Marquês de Abrantes, assim citada pelo historiador Moreira de Azevedo.
NUNES MACHADO, Rua - atual Rua Corrêa Dutra.
PEDREIRA, Caminho da - atual Rua Senador Vergueiro. O nome referia-se ao fato de ter sido a rota principal para a trilha de acesso ao Morro da Viúva, local de onde se extrairam as pedras para a construção do Mosteiro de São Bento, a partir de 1666.
PEDRO I, Praia de - em 1877, trecho da Praia do Flamengo, entre a Rua Silveira Martins e a Praia do Russel.
PINHEIRO, Beco do - atual Rua do Pinheiro.
PINHEIRO, Rua do - atual Rua Machado de Assis.
PITANGAS, Campo das - ver Campo das Pitangueiras, a seguir.
PITANGUEIRAS, Campo das - até meados do século XIX. a região de alagados entre o Largo do Machado e a Praça José de Alencar.
PONTA DA CARIOCA, Morro da - atual Outeiro da Glória.
PRINCESA, Rua - atual Rua Corrêa Dutra.
PRINCESA DO CATETE, Rua - idem.
PRÍNCIPE, Rua do - atual Rua Silveira Martins.
PRÍNCIPE DO CATETE, Rua do - idem.
PROMENADE DOS INGLESES - no início do século XX, o nome poético da Avenida Beira-Mar, atual Praia do Flamengo. Também chamada de "Promenade des Anglais".
SALEMA, Ponte do - na atual Praça José de Alencar, construída em 1575. Ver nesta página, em <O Bairro em Gotas>, sua história, com gravuras aqui reproduzidas em tamanho menor: a superior, por William Ouseley em 1832, e a inferior, por Johann Moritz Rugendas em 1846.
SANTA TERESA DA GLÓRIA, Rua - atual Rua Paissandu.
SANTA TERESA DO CATETE, Rua - idem.
SANTO INÁCIO, Rua de - atual Rua Almirante Tamandaré. Era costume homenagear-se o mais antigo ou o principal morador de uma rua, dando-lhe o seu nome. Por vezes, como neste caso, homenageava-se o Santo que tivesse tal nome. O morador em questão foi Inácio Ratton, que residia em extensa propriedade, onde hoje está o edifício de nº 200 da Praia do Flamengo, na esquina da Almirante Tamandaré.
SÃO BERNARDO, Chácara de - terrenos da Abadia de São Bento, entre o Rio Carioca e a Praia de Botafogo, na região das atuais Ruas Marquês de Abrantes e Senador Vergueiro, e do Morro Azul.
SAPATEIRO SEBASTIÃO GONÇALVES, Praia do - a Praia do Flamengo, o acidente geográfico, propriamente dito. Assim chamada, por ali haver residido, na Casa de Pedra, o sapateiro Sebastião Gonçalves, do final dos anos 1500 até 1606, quando então solicitou a concessão de uma nova sesmaria ao Governador Martim Corrêa de Sá, mais afastada do mar, devido a Casa ter sido destruida por várias ressacas. O nome "Praia do Sapateiro" continuou a identificar a região, aparecendo ainda em 1770 num mapa, reproduzido em <Flamengo - Logradouros - Rua Senador Vergueiro> e do qual destacamos uma parte, aqui mostrada.
SAPUCAITOBA, Praia de - trecho final da Praia do Flamengo, de onde se gritavam mensagens para a Vila Velha, localizada ao sopé do Pão de Açúcar e do Morro Cara de Cão, no final dos anos 1500. Provavelmente, no local do Morro da Viúva onde hoje está a sede nova do Clube de Regatas do Flamengo, na curva da Avenida Rui Barbosa fronteira ao Monumento a Estácio de Sá.
SETE DE SETEMBRO, Avenida - atual Avenida Rui Barbosa. Veja Avenida do Contorno, mais acima.
UMBELINA, Travessa - atual Rua Senador Euzebio.
URUÇUMIRIM, Paliçada de - veja o item seguinte.
URUÇUMIRIM, Praia de - antigo nome de trecho da Praia do Flamengo, nos anos 1565-1600. Nas faldas do Outeiro da Glória, provavelmente na região da atual Rua do Russel (do Hotel Glória ao prédio da Manchete) ou da Rua Silveira Martins (entre o Hotel Novo Mundo e a Rua do Catete, em frente aos jardins do Palácio do Catete), existiu a Paliçada de Uruçumirim, onde os franceses de Villegaignon foram derrotados em 20.1.1567. No combate final ali travado, foi ferido no rosto por uma flecha envenenada o Governador Estácio de Sá, fundador da cidade, ocasionando a sua morte um mês depois. Uruçumirim é a menor das abelhas grandes - ainda em 1991 era anunciada a venda de "Mel de Uruçumirim" nos Classificados do Jornal do Brasil. O termo "uruçu" vem do tupi.
VALDETARO, Rua do - atual Rua Corrêa Dutra.
VILA, Rua de - atual Rua Desembargador Sady Gusmão.
VITÓRIA, Rua - atual Rua Buarque de Macedo.
Os bens tombados do bairro do Flamengo somam 1 federal, 4 estaduais e 14 municipais. O Parque Brigadeiro Eduardo Gomes é tombado no âmbito federal e no municipal. A sede do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB-RJ é tombada pelo Estado e pelo Município (lista atualizada em abril de 2008).
Segue-se a relação desses bens tombados, estando assinalados em azul os que já tem sua descrição detalhada neste site.
Para acessar os dados de um bem tombado, clique no seu nome, na coluna à esquerda da tabela.
| B E M T O M B A D O | L O C A L | F | E | M |
|---|---|---|---|---|
| Parque Brigadeiro Eduardo Gomes | Glória, Flamengo e Botafogo | X | X | |
| Casa do Estudante Universitário | Avenida Rui Barbosa 762 | X | ||
| Reservatório do Morro da Viúva | Alto do Morro da Viúva | X | ||
| Templo Metodista | Praça José de Alencar 4 | X | ||
| Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB-RJ | Rua do Pinheiro 10 | X | X | |
| Casa de Cultura Julieta de Serpa (Palacete Seabra) | Praia do Flamengo 340 | X | ||
| Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo) | Praia do Flamengo 158 | X | ||
| Edifício Biarritz | Praia do Flamengo 268 | X | ||
| Edifício de Apartamentos (Castelinho Francês) | Avenida Osvaldo Cruz 4 | X | ||
| Edifício Flamengo | Praia do Flamengo 88 | X | ||
| Edifício Tabor Loreto | Praia do Flamengo 244 | X | ||
| Escola Municipal Alberto Barth | Avenida Osvaldo Cruz 124 | X | ||
| Igreja da Santíssima Trindade | Rua Senador Vergueiro 141 | X | ||
| Museu das Telecomunicações Oi Futuro | Rua Dois de Dezembro 41 | X | ||
| Palacete Fred Figner | Rua Marquês de Abrantes 99 | X | ||
| Par de leões (Hotel Novo Mundo) | Praia do Flamengo 20 | X | ||
| Prédio da Churrascaria Majórica e do Hotel Senador Vergueiro | Rua Senador Vergueiro 11 e 15 | X |
Este espaço está destinado para textos sobre vários assuntos e episódios relacionados com o bairro do Flamengo.
Delimitação do bairro do Flamengo
O Decreto municipal nº 5.280, de 1985, relaciona os mais de 150 bairros da cidade do Rio de Janeiro, determinando os limites exatos de cada um. Repetimos, a seguir, o mapa e o texto referentes ao bairro do Flamengo, que estão na página Legislação de Ruas Cariocas e obtidos no site da Prefeitura.
“Da Baía da Guanabara na Praça Nicarágua, seguindo pela Travessa Acaraí e Praia da Botafogo (todas excluídas); Rua Marquês de Abrantes (excluída) até a Rua Clarisse Índio do Brasil; por esta (excluída) até o seu final; daí, subindo a vertente e descendo o espigão do Morro Azul, passado pelo ponto de cota 67m, em direção ao entroncamento das ruas Senador Corrêa e Paissandu, por esta (excluída) até o prolongamento da Rua Martins Ribeiro; por esta (incluída) até a Rua Conde de Baependi; por esta (incluída, incluindo a Praça José de Alencar) até a Rua do Catete; por esta (excluída) até a Rua Silveira Martins; por esta (incluída) até a Praia do Flamengo; por esta (incluída) até o entroncamento com a Ladeira do Russel; daí, seguindo por uma perpendicular à Rua do Russel, até a Baía da Guanabara e, pela orla marítima, ao ponto de partida.”
Segue-se a transcrição de artigo publicado no periódico Jornal INFLAMA, órgão da FLAMA, a Associação de Moradores e Amigos do Flamengo, nº 26, de dezembro de 2005, gentilmente cedido para este site pela Vereadora Leila do Flamengo (DEM-RJ).
Por oportuno, esclarecemos que o decreto municipal nº 25.045, de 27.1.2005, atribuiu ao deck o nome de "Lotta de Macedo Soares", não sendo oficiais, portanto, as variações poéticas do nome no artigo que se segue.
Deck: diversão garantida para o verão 2006
O Parque do Flamengo inaugurou, em janeiro deste ano, o Deck Maria Costallat Macedo Soares. A obra cobriu a maior parte do trecho a céu aberto do canal do Rio Carioca e suavizou seu aspecto externo, dando continuidade ao projeto paisagístico.
Aprovado pela Prefeitura e executado pela Fundação Rio Águas, o Deck possui 284,75 metros de extensão e foi feito em madeira tratada quimicamente, imune aos cupins e ao apodrecimento, ideal para aplicações em uso externo.
O restante do trecho descoberto do canal, que soma 165,25 metros, já está sendo orçado. Ele é ocupado pela Estação de Tratamento Químico do Governo do Estado, que deveria ter como função a limpeza das águas do Rio Carioca que deságua na praia, o que nem sempre acontece por falta de material.
A obra de cobertura do canal também retirou a cerca viva, que criava uma barreira visual, reunificando o local, o que ocorreu sem interferir no desempenho hidráulico da Galeria de Cintura construída em 1992, com o objetivo de eliminar as línguas negras existentes.
A idealização
A luta pela conquista deste projeto teve início em 1990, quando a Vereadora Leila do Flamengo, na época presidente da FLAMA, começou uma campanha em defesa do Parque do Flamengo. Ela apresentou à Prefeitura a proposta de construção da Galeria de Cintura de águas pluviais, associada à despoluição do Rio Carioca, que desembocava nas areias da Praia formando quatro línguas negras.
A obra foi aprovada e, em 11 de setembro de 1991, deu-se início à realização da Galeria de Cintura na pista interna do Parque do Flamengo. Considerado um desafio em virtude das dificuldades encontradas no terreno, o projeto buscou adaptar a construção do canal sem descaracterizar o paisagismo existente. No ano seguinte, a praia festejou o fim das línguas negras.
Hoje, o Deck Maria Costallat Macedo Soares é utilizado como espaço de lazer para os freqüentadores do Parque, que fazem caminhadas, piqueniques, ginástica, tomam banho de sol etc. Esta nova conquista é motivo de orgulho para a cidade e para os moradores do bairro.
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Deck Maria Costallat Macedo - inauguração
Ao centro, o Prefeito Cesar Maia, tendo à esquerda da foto, a Vereadora Leila do Flamengo e o Subprefeito da Zona Sul II, Marcelo Maywald, e à direita, o Presidente da Fundação Rio-Águas, Alexandre Pinto da Silva, e o Secretário Municipal de Obras, Eider Dantas, na inauguração do Deck em janeiro de 2005. |
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Deck Maria Costallat Macedo sobre o Rio Carioca
O Deck Maria Costallat Macedo sobre o Rio Carioca, no Parque do Flamengo. |
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O Hotel Central existiu na esquina da Praia do Flamengo com a Rua Barão do Flamengo.
Foi inaugurado em 1915, sendo então considerado o hotel mais luxuoso do Brasil. Essa posição no ranking da hotelaria nacional somente lhe foi tomada pelo Copacabana Palace em 1922, ao ser inaugurado na Avenida Atlântica, em Copacabana.
Em 1951 o Hotel Central foi demolido, para dar lugar ao Edifício Conde de Nassau.
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Hotel Central
O Hotel Central, na esquina da Rua Barão do Flamengo com a Praia.
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O prédio de 3 andares, logo após o Hotel, à direita da foto, era a pensão onde morou o ex-Presidente Nilo Peçanha, e a D. Jenny de Oliveira Gomes, com seu filho Eduardo, que, então 1º Tenente, participou, em 5 de julho de 1922, da chamada Revolta do Forte, em Copacabana, com Siqueira Campos e outros. Muito mais tarde, nas décadas de 1940-50, já Brigadeiro, Eduardo Gomes foi por duas vezes candidato à Presidência da República pela UDN, a União Democrática Nacional. É o Patrono da Força Aérea Brasileira.
Essa pensão foi demolida para dar lugar ao Edifício Cidade de Salvador (Praia do Flamengo nº 224), onde D. Jenny e Eduardo voltaram a morar. A cobertura do novo prédio era a residência de Carlos Lacerda, aqui visto na janela de seu apartamento.
A mansão rodeada de denso arvoredo, já na esquina da Rua Almirante Tamandaré, era de propriedade de Ignacio Ratton e seus herdeiros, desde os tempos do Brasil Império, tendo ali residido em meados do século XX o jornalista Herbert Moses, Presidente da ABI, a Associação Brasileira de Imprensa. Também era diretor-tesoureiro de O GLOBO. Na segunda metade do século deu lugar a um edifício de salas comerciais, o nº 200 da Praia do Flamengo.
As árvores entre as casas das Ruas Barão do Flamengo e Almirante Tamandaré, à esquerda, estão no final da chácara da Baronesa do Flamengo e correspondem hoje ao enorme estacionamento coberto do Posto Sacor, da esquina da Barão do Flamengo com o final da Rua do Catete, na Praça José de Alencar. Em meados de 2008, o Posto foi demolido, provavelmente para o aproveitamento de sua grande área para algum empreendimento imobiliário, mas ficando preservado o estacionamento.
Bem em frente à porta principal do Hotel, são vistos os trilhos dos bondes que ali passavam, rumo à Rua Tucuman e daí, pela Senador Vergueiro, a Botafogo e outros bairros da Zona Sul.
A ITAOCA - A Casa de Pedra foi a primeira construção dos descobridores portugueses nas terras cariocas, e também a primeira construída nas Américas com esse material, pela expedição de Martim Afonso de Souza, para a guarda de mantimentos, em 1531, portanto mais de 20 anos antes da chegada dos franceses de Villegaignon, em 1555, e do fundador da cidade, Estácio de Sá, em 1565.
A localização da Itaoca foi levantada por João da Costa Ferreira em sua obra "Cidade do Rio de Janeiro e Seu Têrmo - Ensaio Urbanológico", publicado em 1931 no volume 164 da Revista do IHGB, em que são relatadas as duas medições da sesmaria concedida por Estácio de Sá para a formação do patrimônio inicial da cidade.
Essas medições foram feitas em 1667 e 1753, e em ambas as oportunidades foram encontrados os alicerces da Casa de Pedra e junto a eles colocado um marco, a partir do qual foram medidos os limites da sesmaria do têrmo da cidade.
Costa Ferreira dava o ponto desse marco inicial como "um local próximo à rua Umbelina", na nota 28 do Capítulo IX de seu livro.
Em 1938, o escritor Gastão Penalva resolveu ofertar à municipalidade um marco de pedra com uma placa de bronze explicativa, colocando-o no final da Travessa Umbelina. Esse marco, feito com pedra do Morro da Viúva, foi inaugurado em 12 de dezembro daquele ano, com a presença de diversas autoridades, conforme noticiaram os periódicos da época. Reproduzimos a seguir dois artigos do Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, sobre o evento.
É o chamado Marco Gastão Penalva, cujo incrível desaparecimento é relatado no final deste tópico.
Transcrevemos, respeitada a grafia da época, um artigo publicado no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, em 19.1.1938, sobre a ITAOCA.
A CASA DE PEDRA
Estudos realizados em diversas epocas, notadamente o excellente ensaio urbanologico do Dr. João Costa Ferreira, "O Rio de Janeiro e seu termo", conseguiram determinar precisamente o local onde existiu a primeira casa de pedra construida no Rio de Janeiro, com pedra do morro da Viuva.
Achava-se esse edificio nas cercanias da antiga aguada dos Marinheiros do rio Carioca, no fim da praia do Flamengo, onde hoje se encontra o pequeno largo formado pela confluencia da rua Princeza Januaria e da travessa Umbelina. Ahi tambem se installava o marco inicial das primeiras sesmarias concedidas na cidade, que foi desenterrado por ocasião das ultimas medições.
Numa fase em que só havia na terra recem-fundada choupanas de madeira e palha da rudimentar architectura dos indios, a casa de pedra era tida em conta de construcção importante e confortavel. Razão pela qual nella tiveram moradia o viajante francez João de Lery, Pedro Martins Namorado, que foi o primeiro juiz ordinario do termo da cidade, o sapateiro Sebastião Gonçalves e outros.
Durou a casa cerca de duzentos annos. O efeito das ressacas attingiu-lhe os fundamentos, acabando por demolil-a completamente. Mas o local ficou rigorosamente determinado. Nelle, dentro de poucos dias, será collocado um marco de pedra com uma placa de bronze onde figura a seguinte inscripção:
"Neste local existiu a primeira casa de pedra construida no Rio de Janeiro, com pedra do Morro da Viuva de que se fez este marco. Doação do escriptor Gastão Penalva, governando a cidade o Prefeito Henrique de Toledo Dodsworth. MCMXXXVIII"
A essa inauguração, que se revestirá de toda a solennidade, assistirão pessoas do Governo, historiadores, homens de letras, imprensa, classes armadas, associações culturaes, etc.
O dia será previamente annunciado.
O Marco Gastão Penalva foi finalmente inaugurado, com toda a pompa, no final do ano, em 12.12.1938, conforme nos relata o mesmo periódico, na sua edição do dia seguinte, na seção Registro:
A PRIMEIRA CASA DE PEDRA DO RIO
Na Travessa Umbelina, no Flamengo, realizou-se hontem, pela manhã, a cerimonia de collocação do marco commemorativo da primeira casa de pedra construida no Rio, em 1531.
Deve-se essa iniciativa ao escriptor Sr. Gastão Penalva, que, em seus estudos e pesquizas, conseguiu determinar o local, em que foi erguido o primeiro edifício da cidade.
A expedição de Martim Affonso de Souza chegara á Bahia de Guanabara e procurara um ancouradouro para suas caravellas. E foi alli que encontrou o logar adequado para o desembarque e estabelecimento de sua expedição.
Necessitando de uma casa forte para guardar os mantimentos que trouxera e objectos de uso da expedição, resolveu a construcção dessa casa de pedra, que já desappareceu. Em redor, os expedicionarios ergueram casas improvisadas para morar.
Estavam, assim, lançados os fundamentos da cidade.
Assistiram ao acto inaugural, o representante do Sr. Prefeito Henrique Dodsworth, Sr. João de Macedo, o Padre Solano Dantas e o Capitão Tenente Ataulpho Neves, representando, respectivamente, os Srs. Cardeal D. Sebastião Leme, e o Almirante Aristides Guilhem, Ministro da Marinha, além de outras pessoas gradas e numerosos moradores na circumvizinhança.
Discursando, o Sr. Gastão Penalva historiou a descoberta que fizera, entregando á cidade, por intermedio do Sr. Prefeito, o marco commemorativo que tem, no alto, uma placa de bronze com a seguinte inscripção:
"Neste local existiu a primeira casa de pedra no Rio de Janeiro, com pedra do Morro da Viuva de que se fez este marco. Doação do escriptor Gastão Penalva, governando a cidade o Prefeito Henrique Dodsworth."
Falaram ainda outros oradores, dentre os quaes o Professor Morales de los Rios e um representante do Instituto Historico e Geographico de Ouro Preto.
Também a Revista da Semana, do Rio de Janeiro, noticiou a inauguração do Marco Gastão Penalva :
MARCO GASTÃO PENALVA
Texto: Flavio Serrano (2007)
Foto: Revista da Semana (1938)
A Revista da Semana, que circulou no Rio de Janeiro com data de 17.12.1938, publicou uma fotografia do Marco Gastão Penalva, que o escritor doou à cidade, colocando-o no local aproximado em que foi construida em 1531 a Itaoca.
O Padre Paulo Riou, então pároco da Igreja da Santíssima Trindade, da Rua Senador Vergueiro nº 141, mostrou-nos em 1992 o local exato onde existiu o Marco. Era na parte frontal do Edifício Saint Exupéry, na Rua Senador Euzebio (antiga Travessa Umbelina) nº 40.
Naquela igreja desde 1952, o Pe. Riou disse-nos que, quando lá chegou, já não existia a placa de bronze no topo do Marco. Como tantas outras, havia sido roubada e provavelmente derretida, rendendo uns míseros níqueis ao malfeitor que executou a criminosa depredação.
Localizamos então o Sr. Albino, proprietário da Demateco, firma que havia feito a demolição da antiga Embaixada da França, na Praia do Flamengo (entre Cruz Lima e Osvaldo Cruz), em 1962. Na Praia foram construidos pela Servenco três grandes edifícios, nºs 360, 364 e 370, além do Saint Exupéry nos fundos do grande terreno da Embaixada.
Disse-nos o Sr. Albino que o seu tratorista tinha ordens suas de interromper o trabalho de remoção de entulho e chamá-lo, se encontrasse qualquer objeto "estranho" numa demolição, como seria o caso do Marco. Mas isso não aconteceu nesse serviço, o que confirma as palavras do Pe. Riou, de que nada mais existia naquele ano.
Resta-nos, pois, a lembrança dos fatos, narrados nos jornais da época, além desta foto do Marco, infelizmente com precária reprodução.
De qualquer forma, esperamos haver resgatado mais um aspecto da história do bairro do Flamengo, antes que caísse em definitivo no esquecimento.
Um final feliz desta história seria, sem dúvida, a feitura, pelo Patrimônio Histórico municipal, de um novo marco com pedra do Morro da Viúva, repetindo a obra de Gastão Penalva, e colocando-o no jardinete da frente do Edifício Saint Exupéry, seu local original, na Rua Senador Euzebio nº 40.
E, por favor, façam a placa em aço inoxidável, que não tem valor para os "derretedores de bronze". Mas respeitem a grafia de 1938 e os exatos têrmos usados por Gastão Penalva. No máximo, acrescentem um título, informando algo como "Marco Gastão Penalva - restaurado no seu local original, pelo Governo do Prefeito Cesar Maia - MMVIII".
Mãos à obra, Sr. Prefeito!