A história da Rua Ministro Viveiros de Castro Quem foi o Ministro Viveiros de Castro ? A Rua Ministro Viveiros de Castro em detalhes





















A Rua Ministro Viveiros de Castro está situada em Copacabana, no Lido (Posto 2), entre a Rua Barata Ribeiro e a Avenida Nossa Senhora de Copacabana.  Começa na Avenida Princesa Isabel, junto e antes do nº 245 e termina na Rua Rodolfo Dantas, junto e antes do nº 102.  O antigo nome Buarque consta do recadastramento feito pelo Decreto nº 1.165 de 31.10.1917.  Mudou para o nome atual pelo Decreto (de alteração de denominação) nº 2.802, de 8.5.1928.

Foi aberta em abril de 1894 com o nome de Rua Buarque, em alusão ao proprietário do terreno então cedido para a municipalidade, o industrial, comerciante e banqueiro Manoel Buarque de Macedo, nascido a 19.4.1863 em Recife (PE) e falecido a 28.7.1926 em Vargem Alegre.

Era filho do Conselheiro Buarque de Macedo, da Corte Imperial, que por sua vez deu nome a uma rua no Flamengo, além de ter uma sua estátua colocada no acesso à Avenida Marechal Câmara, no início da Avenida Beira-Mar, perto do Aeroporto Santos-Dumont.


Anúncio em O Copacabana, em 1909.

Em 1909 a Empreza de Construcções Civís anunciava a venda de terrenos em Copacabana.  Rua do Hospício é a atual Buenos Aires, no Centro.  Rua da Igrejinha é hoje a Francisco Otaviano, no Posto Seis. A Rua Buarque é a atual Ministro Viveiros de Castro, no Lido.



Projeto de arruamento de Copacabana e Leme, em 1894

Mapa com as ruas projetadas para Copacabana e Leme, em 1894, por Alexandre Wagner, que possuía mais da metade da área. In "História dos Bairros - Memória Urbana - Copacabana", de Elizabeth D. Cardoso et alii (João Fortes Engª/Edit.Index, Rio, 1986).


Detalhe do Projeto de arruamento de Copacabana

Detalhe do mapa, com destaque para o trecho Rua do Barrozo, atual Siqueira Campos, até a Praça do Vigia, no Leme.  A Buarque aparece (sem legenda) ao centro, entre a Barata Ribeiro e a Nossa Senhora de Copacabana.


Originalmente, praticamente metade da área de Sacopenapan pertencia à "Empreza de Construcções Civís", do abastado comerciante Alexandre Wagner e de seus genros Otto Simon e Theodoro Duvivier, pioneiros de Copacabana na segunda metade dos anos 1800.   Era Diretor-Presidente da empresa o Dr. Antonio de Paula Freitas, que mais tarde viria a ter seu nome colocado numa rua do Posto 3, a antiga Rua Itororó.   Wagner havia adquirido em 1873 as chácaras do Boticário, Leme e Sobral, entre a Rua do Barrozo e o Morro do Vigia (Leme), além de outra chácara, a do Fialho, no hoje Posto Seis.

A foto, obtida do alto do Morro da Babilônia, mostra o Lido em 1925, destacando o recém-construído Copacabana Palace, e o Palacete da família Duvivier, na esquina da Praia.  No centro da figura, um bonde passa pela Rua Buarque, na esquina da Rua Haritoff (Ronald de Carvalho).  Canto esquerdo inferior: a casa na esquina da Barata Ribeiro e Goulart (hoje Prado Júnior) está no local onde mais tarde seria erguido o prédio em que hoje se encontra o popular restaurante e bar Cervantes (o melhor sanduíche de pernil do Rio).

No final do século XIX e no início do século XX, a Buarque era a rua por onde trafegavam os bondes da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, que vinham da estação existente na esquina da Rua do Barrozo (atual Siqueira Campos) com a Rua de Copacabana (atual Avenida N.Srª de Copacabana), em direção à Praça do Vigia, no Leme.   No local dessa antiga estação hoje existe o Centro Comercial de Copacabana.

Os bondes vinham pela Avenida, entravam pela Rua Inhangá (até os anos 1930 ainda não havia o trecho da Avenida entre a Rua Inhangá e a Duvivier, por trás do Copacabana Palace), transitavam por um poucos metros da Rua Barata Ribeiro em frente à antiga Praça Sacopenapan (atual Praça Cardeal Arcoverde), seguiam pela Rua Duvivier e pela então Rua Buarque até a Rua Salvador Corrêa (hoje Avenida Princesa Isabel), para finalmente alcançarem a Rua Gustavo Sampaio e aí continuarem até o seu ponto final, na estação (vide foto) que existiu no terreno hoje ocupado pelo Edifício Drª Regine Feigl, o primeiro da Avenida Atlântica, fronteiro à Praça Almirante Júlio de Noronha, no Leme.

Uma estação intermediária localizava-se justamente na esquina da Rua Buarque (Ministro Viveiros de Castro) com a Salvador Corrêa (Princesa Isabel), de onde depois sairiam os bondes em direção a Botafogo, passando pelo Túnel Novo, inaugurado em 1906. Essa estação foi demolida em 1948 e o terreno aproveitado para o alargamento da Rua Salvador Corrêa, com a sua transformação na atual Avenida Princesa Isabel, à época da abertura da 2ª galeria (Engenheiro Marques Porto) do Túnel Novo e da ampliação da galeria inicial, que tem o nome de Engenheiro Coelho Cintra.

Esta foto é de 1910.  A Rua Buarque é a longa reta à direita.  A casa térrea assinalada com a seta é a estação de bondes da linha do Leme, na esquina da Buarque com a Salvador Corrêa.  A rua mais larga à esquerda, paralela à praia, é o trecho inicial da então Rua, hoje Avenida N.Srª de Copacabana.

O prédio maior à esquerda, fronteiro à praia, com dois torreões, era o castelinho dos famosos artistas Irmãos Bernardelli, mais tarde demolido para a construção do edifício hoje existente na esquina de Belfort Roxo com a Atlântica, em frente à Praça do Lido, a antiga Praça Vinte e Seis de Janeiro.

Rodolfo Bernardelli (1852-1931) foi escultor de grande talento, havendo inúmeras obras suas nos logradouros cariocas.  Foi Diretor da Escola Nacional de Belas Artes.  Seu irmão Henrique (1857-1936) foi destacado professor no mesmo estabelecimento de ensino, além de premiado pintor, havendo conquistado medalhas de ouro na Exposição Geral de Belas Artes em 1890 e no Salão de 1916.

A atual Praça do Lido também já se chamou, entre 1931 e 1979, Praça Bernardelli.  Hoje lembramo-nos dos irmãos, com a existência da Praça Irmãos Bernardelli na Cidade Nova, ao final da Avenida Presidente Vargas (lado ímpar), onde se inicia a Avenida Paulo de Frontin, perto do Centro Administrativo São Sebastião, sede da Prefeitura.


A Rua Ministro Viveiros de Castro, em 1928

Foto de Augusto Malta, datada de 20.12.1928.   Desde maio daquele ano, a Rua Buarque já havia sido renominada como Rua Ministro Viveiros de Castro. Este é o seu lado par, entre as ruas Rodolfo Dantas e Duvivier.   Notem os trilhos dos bondes na Duvivier, à direita, entre a Barata Ribeiro e a Ministro. E vejam a favela que existiu na Ladeira do Leme.   Dessas casas na Ministro, só restam três, em 2007.   Uma delas é a que se vê à direita de um terreno baldio.   E sem falarmos no Edifício Richard, o famoso 200 da Barata Ribeiro (há algum tempo renumerado para 194), que seria construido nesse trecho na segunda metade do século passado.   Foto de coleção particular.



Vista aérea do Lido, em 1933

Nesta foto aérea do Lido, em 1933, podemos distinguir: 1) Morro do Inhangá - 2) Copacabana Palace - 3) R. Rodolfo Dantas - 4) Av. N. Srª de Copacabana - 5) R. Duvivier - 6) R. Ronald de Carvalho - 7) R. Min. Viveiros de Castro - 8) R. Barata Ribeiro - 9) Pça. Cardeal Arcoverde - 10) R. Otaviano Hudson - 11) R. Tonelero.








A Rua Buarque é assim citada na grande maioria dos documentos encontrados nos arquivos públicos do Rio de Janeiro, mas como Manoel Buarque nos registros da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico, na Ata de Doação do terreno em que foi construida a estação de bondes da esquina da Rua Salvador Corrêa.

Em 1928 a Rua Buarque recebeu nova denominação, Ministro Viveiros de Castro, em homenagem a Augusto Olympio Viveiros de Castro, nascido em São Luiz, MA, em 27.8.1867, e falecido em São Paulo, SP, em 14.4.1927.


Augusto Olympio Viveiros de Castro

Magistrado, Jurisconsulto e Professor

(1867-1927)


O Ministro Viveiros de Castro, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Recife, foi magistrado, jurisconsulto e professor, tendo atuado como Representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas (1897), sendo depois Diretor do mesmo Tribunal (1901).

Foi professor catedrático de Direito Civil da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro e em 27.1.1915 foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal.  De agosto de 1923 a fevereiro de 1925 foi Presidente do Conselho Nacional do Trabalho, órgão que deu origem ao atual Tribunal Superior do Trabalho.

Viveiros de Castro também sobressaiu-se como autor de várias obras importantes, especialmente sobre Direito Administrativo e Finanças.

Ainda hoje vários membros de sua família seguem seus passos na área jurídica, destacando-se, entre outros, a Dra. Flávia de Almeida Viveiros de Castro, Juíza do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, e o Dr. Paulo Viveiros de Castro, advogado com atuação no fôro carioca, na área cível.

Foto do site do Itamaraty.








Moradores e tombamentos da área da Rua Ministro Viveiros de Castro:



Moradores: Como é comum nas ruas de Copacabana, a Rua Ministro Viveiros de Castro está hoje praticamente tomada por prédios residenciais, mas que em boa parte têm seus andares térreos abrigando lojas comerciais, restaurantes, academias de ginástica, LAN houses, etc.

Dê-se o devido destaque para a Farmácia do Leme, na esquina da Avenida Prado Júnior, aberta 24 horas por dia há algumas décadas.  Foto ao lado, de n/arquivos (2007).

No Edificio Viveiros de Castro, o nº 81 da rua, tiveram sua infância os irmãos Arnaldo e Ronaldo Cezar Coelho, o primeiro, famoso juiz de futebol e hoje comentarista de arbitragens na televisão, e o segundo, empresário do mercado financeiro e político atuante, ex-Secretário Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.


Tombamentos: Nos fundos do Edifício América, no nº 110, existem três frondosos oitis, que foram tombados pelo Patrimônio Histórico Municipal, com a intenção de se preservar uns típicos exemplares da mata que cobria há um século as areias desertas de Sacopenapan.  De tempos em tempos, a Fundação Parques e Jardins, da Prefeitura, procede à poda dessas árvores, que já devem ter uns 70 anos de vida, pois foram plantadas na década de 1930, ao ser construído o prédio.

Na esquina da Rua Ronald de Carvalho, há um prédio também tombado pelo Patrimônio Histórico do município, o Edifício Guahy, com portaria principal e numeração por aquela rua (a antiga Rua Haritoff, mais tarde Henrique Dias), mas com extensa lateral pela Viveiros de Castro.  É um clássico exemplo do estilo art-déco, dos anos 1930, presente em muitos outros prédios da área.  Foto ao lado, de n/arquivos (2007).


Uma vista da Rua Ministro Viveiros de Castro

A Rua Ministro Viveiros de Castro, vista a partir da esquina da Rua Rodolfo Dantas.   Foto de n/arquivos (2007).