A Rua Lysia Cavalcanti Bernardes está situada em Copacabana, no Lido (Posto 2), no alto do Morro do Inhangá. Começa no lado par da Rua General Barbosa Lima, antes e junto do nº 110, a 235m do final da Rua General Azevedo Pimentel, terminando logo após, sem saída, com 20m de extensão.
|
Rua Lysia Cavalcanti Bernardes
Foto aérea, de 1933. Descrição no texto a seguir.
|
|---|
A urbanização do Morro do Inhangá teve origem com a aprovação do Projeto nº 2.325, de 18.4.1934. A foto aérea é de 1933, mostrando o traçado original da Rua General Barbosa Lima no alto do Morro, ainda em processo de abertura e sem qualquer construção. A Rua Lysia Cavalcanti Bernardes é a pequena rua que está um pouco à direita do centro da foto, no ponto em que a Barbosa Lima faz uma curva à esquerda para continuar a subir o Morro.
O nº 1 identifica o Morro do Inhangá, o nº 2 é o Copacabana Palace e o nº 3 a Rua Rodolfo Dantas. No canto superior direito vê-se a Praça Sacopenapan (nº 4 - atual Praça Cardeal Arcoverde). A seta indica a Rua Projetada, que recebeu o seu nome atual em 1991.
Note-se que ainda não estava aberto o trecho da Avenida Nossa Senhora de Copacabana atrás do hotel, ao sopé do Morro, na quadra onde hoje está, entre outros imóveis, o de nº 360, que já abrigou o Cinema Ricamar, mas há muitos anos transformado na sempre concorrida Sala Municipal Baden Powell, da Secretaria Municipal das Culturas. Naquela época, há mais de 70 anos, era tão somente uma trilha para pedestres.
A Rua Lysia Cavalcanti Bernardes, que constava até então como "Rua Projetada", recebeu o nome atual com a edição do Decreto nº 10.448 de 13.9.1991, publicado no D.O.Rio, o Diário Oficial do Município, nº 137 de 27.9.1991. A rua tem o CL, Código de Logradouro, nº 19863-0, mas não está cadastrada nos Correios com número de CEP.
O nome de Lysia Cavalcanti Bernardes foi indicado para esta rua em 1990, no Processo nº 02/368.929/90, por Luiz Paulo Corrêa da Rocha, à época Secretário Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente em exercício.
Com apenas 20m de extensão, a Rua Lysia Cavalcanti Bernardes é a menor rua de Copacabana.
Também têm dimensões bem reduzidas a Rua Maracanaú (transversal da Rua Otaviano Hudson, perto da Praça Cardeal Arcoverde), o Largo Ibrahim Sued (canteiro em frente à Portaria do Copacabana Palace Hotel, na Avenida Atlântica) e a Travessa Moacyr Deriquém (no Bairro Peixoto, entre a Rua Santa Clara e a Rua Maestro Francisco Braga/Praça Edmundo Bitencourt), que oportunamente estarão descritas neste site.
|
Rua Lysia Cavalcanti Bernardes
Uma vista da Rua Lysia Cavalcanti Bernardes, ao lado do prédio nº 110 da Rua General Barbosa Lima, no alto do Morro do Inhangá.
|
|---|
Aspectos da Rua Lysia Cavalcanti Bernardes.
|
|---|
Outras imagens da Rua Lysia Cavalcanti Bernardes. O tosco portão no muro dá para a ribanceira do Morro, que cai quase na vertical para os fundos de prédios na Rua Rodolfo Dantas e Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
|
|---|
Lysia Maria Cavalcanti Bernardes
Geógrafa
(1924-1991)
A Geógrafa Lysia Maria Cavalcanti Bernardes nasceu no Rio de Janeiro, em 9.9.1924. Bacharelou-se pela antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), licenciando-se em 1945. Geógrafa, especializada em planejamento regional e urbano, teve sua carreira fortemente vinculada a duas instituições: o IBGE (1944-1975) e a UFRJ (1959-1977).
Inicialmente e seguindo modelo da época, realizou trabalhos ligados à Geografia Fìsica (1951), debruçando-se então em estudos sobre o clima do Brasil. No IBGE, a partir do final dos anos de 1950 e durante toda a década de 1960, destacou-se como principal divulgadora dos estudos de redes urbanas trazidos para o Brasil pelo professor francês Michel Rochefort.
Publicou o clássico "O Rio de Janeiro e sua Região" (CNG, 1964), somando ainda trabalhos sobre o planejamento urbano em publicações do IBGE e da Associação dos Geógrafos do Brasil (AGB), onde também teve presença marcante. Contribuiu, decisivamente, na obra "Estudos Cariocas", editada pela AGB do Rio, ao final dos anos de 1950. Os estudos sobre o Rio de Janeiro sempre ocuparam particularmente seu interesse, inclusive por razões afetivas.
Sua relevante produção, nessa linha de pesquisa, projetaria Lysia Bernardes, nas décadas de 1970 e 1980, aos níveis mais altos da comunidade de planejamento brasileiro, ao ocupar cargos de direção no Ministério do Planejamento e do Interior, e no Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Na UFRJ, lecionou na graduação e na pós-graduação, trabalhando no Departamento de Geografia, na Faculdade de Arquitetura (Urbanismo), e no Programa de Planejamento Urbano da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE).
Lysia Bernardes também exerceu atividades docentes em outros estabelecimentos de nível superior, como a Universidade Federal do Ceará e Universidade Federal Fluminense (UFF), entre outras instituições, além da relevante contribuição acadêmica em cursos de especialização promovidos por instituições não universitárias.
Junto com seu marido, o também geógrafo Nilo Bernardes, formou um dos mais dinâmicos casais da geografia brasileira. Morreram juntos, em 9.8.1991, tragicamente, em acidente rodoviário no trajeto entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio.
(agradecemos ao IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pelo texto acima)
Lysia Bernardes foi autora de "Aspectos da Geografia Carioca", edição da Associação dos Geógrafos do Brasil (AGB) e do Conselho Nacional de Geografia (CNG), em 1962, tendo também publicado "Planície Litorânea e Zona Canavieira do Estado do Rio de Janeiro" (CNG, 1957) e "Rio de Janeiro: Cidade e Região" em 1987, entre outras obras.
Outros dados biográficos podem ser lidos no site do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), clicando na aba "Informe-se" e colocando "Lysia Bernardes" na caixa de busca.
Estudiosa da história de sua cidade natal, Lysia Bernardes fez em sua obra "Aspectos da Geografia Carioca" (op.cit.) uma competente apreciação sobre a expansão urbana nos primeiros momentos do Rio de Janeiro, ao escrever:
" (...) Mais do que no século XVII, a expansão da cidade no decorrer do século XVIII se processou, sobretudo, graças à conquista das lagoas e brejos circunjacentes que dificultavam o espraiamento da cidade na planície e, também, de terrenos de Marinha.
O Rio de então já era o porto escoadouro das minas e se tornaria Capital da Colônia (1763), o que, multiplicando suas funções urbanas, aumentou sensivelmente sua população e lhe deu forças para completar a conquista dos brejos e lagoas.
Em três direções se espraiou então a cidade. Na planície, para oeste, entre o maciço montanhoso e o alinhamento Conceição-Providência. Ao norte, na faixa de Marinha entre esses morros e o mar, e para o sul a estreita faixa entre as encostas da Serra da Carioca e a praia.
Ao longo do litoral, na direção sul, adensou-se nesse século a população, até o Largo do Machado mas, a rigor, apenas a Lapa e a Glória adquiriram realmente caráter urbano.
(...)
Na encosta do morro voltada para a praia da Lapa e a enseada da Glória, abrem-se as primeiras ladeiras, povoando-se também o próprio outeiro da Glória.
E além da estreita passagem entre os prolongamentos do maciço e o outeiro da Glória, pelo caminho do Catete, prossegue a conquista da planície.
A esses elementos, praia, morro, planície, vem juntar-se agora a conquista dos vales, nos quais se multiplicam nesse século as chácaras (...) "
Lysia Bernardes foi uma das fundadoras da AMAL, a Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras, bairro onde residia.
Imagens da área, no Morro do Inhangá
(Copacabana)
Vista aérea, dos anos 1950, com destaque para o Copacabana Palace. À sua frente, o futuro Largo Ibrahim Sued, ainda sem qualquer arborização. À esquerda do hotel, a recém-construída piscina e a obra dos Edifícios Chopin, Prelúdio, Balada e Barcarola. No canto esquerdo superior, o Morro do Inhangá, vendo-se parte da Rua General Barbosa Lima. A Rua Lysia Cavalcanti Bernardes é o pequeno logradouro que aparece assinalado por uma seta.
|
|---|
Detalhe da foto anterior, com o topo do Morro do Inhangá e o trecho final em curva da Rua General Barbosa Lima, dela saindo para a direita a Rua Lysia Cavalcanti Bernardes.
|
|---|
No Levantamento Aerofotogramétrico do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos a Rua Lysia Cavalcanti Bernardes aparece antes e junto do nº 110 da Rua General Barbosa Lima. A seta marca sua localização, na cota 24m70.
|
|---|
Foto de satélite (do site Google Earth) da região do Morro do Inhangá, com o local da Rua Lysia Cavalcanti Bernardes.
|
|---|
Uma das Escadarias existentes no Morro do Inhangá une o início da Rua General Barbosa Lima com a Rua Lysia Cavalcanti Bernardes.
|
|---|
Nossos agradecimentos aos autores das informações e imagens, especialmente Alessandra Schimite, Débora Moscoso, Luiz Carlos Santos e Pedro Tórtima, que foram editadas e complementadas com material da Biblioteca Nacional (BN), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), dos sites Google, Google Earth e de n/arquivos.