Em 1906 esta árvore estava no meio (!) da pista da Rua Barata Ribeiro, a uns 50 metros antes da esquina da Rua Duvivier, algo inimaginável nos dias de hoje.
O bonde, que aparece ao fundo no centro da foto acima, reproduzida de um cartão postal, vinha da estação existente na esquina da então Rua, hoje Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua do Barrozo, Siqueira Campos desde 1931 (atual Centro Comercial), pela Rua Inhangá, continuava por um pequeno trecho da Barata Ribeiro fronteiro à Praça Sacopenapan, a Praça Cardeal Arcoverde dos nossos dias, para entrar na Duvivier e seguir pela Rua Buarque (Ministro Viveiros de Castro desde 1928), em direção ao final da linha, no Leme, em frente ao Forte.
À esq., a estação do Leme, na Praça do Vigia (Almte. Julio de Noronha) em 1906.
À dir., em 1921, a estação da Rua do Barrozo (Siqueira Campos).
Esse ramal do Leme foi inaugurado em 15.4.1900, inicialmente com a estação final na esquina das ruas Gustavo Sampaio e Tomé de Souza (Aurelino Leal) e em 4.3.1906 estendido até a Praça do Vigia (Almirante Julio de Noronha).
Uma estação intermediária existia na esquina da Rua Buarque com a Salvador Corrêa, para conexão com os bondes que vinham de Botafogo pelo recém-aberto Túnel Novo, à época ainda chamado de Túnel do Leme. Essa estação foi demolida em 1948, quando foi alargada a Salvador Corrêa, que então se transformou na Avenida Princesa Isabel de hoje, dando vazão ao tráfego da recém-aberta Galeria Engenheiro Marques Porto, a segunda galeria do Túnel Novo, com mão no sentido Botafogo-Copacabana.
Em 21.8.1951 foi editado o Decreto nº 10.940, consolidando a nomenclatura dos túneis. Eles deixaram de ser duas galerias do Túnel Novo e passaram a se chamar Túnel Engenheiro Coelho Cintra e Túnel Engenheiro Marques Porto.
O mais antigo, hoje com o tráfego no sentido Copacabana-Botafogo, chama-se Túnel Engenheiro Coelho Cintra. José Cupertino de Coelho Cintra (ao lado), mais tarde Prefeito de Recife, era então o Gerente da Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico e tornou-se o verdadeiro "Pai de Copacabana" ao antever o futuro, abrindo os dois túneis, o Velho em 1892 e o Novo em 1906, para trazer os seus bondes e o progresso até aquelas areias desertas.
Por sua vez, o engº João Gualberto Marques Porto foi o Diretor do Serviço de Túneis da Prefeitura nos anos 1940, dando execução às obras planejadas pelo engº José de Oliveira Reis, profissional de extraordinária visão urbanística que honrou os quadros técnicos da municipalidade e da engenharia nacional até a década de 1990.
Atenção! O mapa da região, do Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, está até hoje (edição de 2008) com os nomes dos dois túneis trocados. Em 1995, ao término das obras de reforma da Avenida Princesa Isabel, as placas foram colocadas de forma errônea, mas após uns 6 meses de insistência, conseguimos convencer a Prefeitura para que as remanejasse, instalando-as nas posições corretas. Mas continua faltando a colocação dos nomes certos nas placas.